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Santiago, 29 de xuño de 2001

A Europa e Bush
 

Newton Carlos-

Correio da Cidadania



Quando candidato, Bush programou uma viagem à Europa. Disputava o cargo de presidente da nação mais poderosa do mundo e tinha, como continua tendo, escasso conhecimento do universo. Governador do Texas, com pouco esforço podia alcançar o México ao lado e até falar algumas palavras de espanhol, além de compartilhar com rancheiros mexicanos de elite o gosto por botas de couro fino e decalques.

A América Latina de Bush se esgota por aí. Ele fora a um país africano integrando missão oficial designada pelo pai, na época na Casa Branca. Esticara até o Oriente Médio rápida viagem à Itália, onde estudava uma de suas filhas gêmeas. Da Europa mais nada. Nenhuma atração pelo continente que foi o berço da civilização ocidental? A viagem durante a campanha não aconteceu. Com medo de um massacre, por parte de jornalistas europeus afiados, os marqueteiros de Bush mandaram cancelá-la.

Um analista londrino de renome, Hugh Young, privado de uma entrevista com Bush, divulgou um livrinho saído no Texas intitulado "Shrup". A tradução é pequeno arbusto ou "small bush" em inglês. Mostra alguém sem grandeza, amigo de milionários e empresários, ele próprio milionário com incursões no vale-tudo do petróleo, personagem da política como questão de negócios. Só poderia dar, como deu, num governo de executivos. O primeiro telefonema recebido pelo novo diretor da agência reguladora da energia, publicou o "New York Times", foi de alto empresário da indústria de energia.

Bush hostilizou a Rússia, quando o interesse da Europa é buscar fórmulas de acomodação. Quer tirar as tropas americanas dos Bálcãs. Lançou o projeto de construção de um escudo espacial anti-foguetes que passa por cima do tratado ABM dos anos 70, cuja tarefa é manter flutuando uma estrutura desarmamentista. O equilíbrio da Guerra Fria baseou-se na convicção de mútua destruição. Nada de proteção contra foguetes. Quem atacasse também seria destruído.

O "National Missil Defense" de Bush altera isso. Com um escudo espacial, os Estados Unidos poderão disparar e enfrentar retaliações, o que libera a tentação de atacar primeiro. A China está convencida de que é o alvo principal. Dispõe de mais ou menos 20 foguetes em condições de alcançar o território americano. Com o NMD, esses foguetes de pouco ou nada valerão. O que faz a China? Procura acordos com a Rússia, país sem dinheiro, mas com tecnologia armamentista sofisticada. Sai em campo nova corrida armamentista.

O novo presidente americano foi afinal à Europa. Um jornal alemão chamou-o de "Bush valentão". Quebra tratados, ressuscita armamentismos, polui os céus. É o ponto maior de controvérsia, no momento. Os Estados Unidos abandonaram o Protocolo de Kyoto, de controle das emissões de gases que poluem a atmosfera e aumentam o aquecimento da terra. Bush não voltou atrás, quanto a Kyoto. Chamou o protocolo, adotado pela União Européia, de "irrealista". O empresariado americano é contra. Os europeus estão convencidos de que a ambição de Bush é dizer à Europa como comportar-se. E ser obedecido.


[Artigo tirado do diario Correio da Cidadania-Brasil edición 250,
semana 23-30/06 de 2001]

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ÚLTIMA REVISIÓN: 29/06/2001