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Santiago, 8 de marzo de 2002

ONG, neoliberalismo e socialismo
 

Valdir Izidoro Silveira-

La Insignia



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As manobras das ONGs neoliberais, por mais sutilezas que possam ter, não escondem suas posições contrárias ao socialismo. Temos travado diálogos pesados com representantes e dirigentes de ONGs que, abertamente, não aceitam a liderança de Fidel Castro e dizem que "Cuba é uma ilha de pobreza".
 
Vários autores, entre eles James Petras, Noam Chomsky e Marta Hanecker, para citar os mais atuantes no campo das "esquerdas em debate ", tem feito duras críticas às ONGs. É preciso -e necessário- que nós que acreditamos e defendemos o socialismo tenhamos a coragem de contraditar todas as ações que, travestidas de uma linguagem esquerdizante, com discursos "progressistas", "populistas", venham desvirtuar e desviar o rumo das lutas sociais por transformações estruturais.

Quando falamos de transformações estruturais nos referimos, sem subterfúgios, a socialização dos meios de produção.

Sem sectarismos, mas com radicalismo, é salutar esse embate entre os que tangenciam a luta de classe e os que a colocam, ainda, na ordem do dia das discussões. Precisamos retomar as grandes lutas, no campo do confronto ideológico, do conhecimento, do qual foram protagonistas Marx e Engels - grandes precursores -, Lenin, Trotsky, Stalin, Rosa Luxemburgo, Mao Tse Tung, Ho Chi Minh e mais recentemente Fidel Castro - indiscutivelmente o mais preparado e culto estadista do mundo-, James Petras e Marta Hanecker, em contrapondo as idéias, a filosofia do socialismo contra os reformistas e reacionários de todos os matizes.

A nossa difícil, mas gloriosa, tarefa é a de educadores políticos, de críticos da realidade econômica e social, de analistas de ideologias, de combatentes contra todas as formas de fascismos travestidos de neoliberalismo, com a chancela e capa da globalização.

Georges Politzer, que foi preso e fuzilado pela Gestapo, durante a ocupação da França, em 1942, foi um exemplo de intelectual militante que se dedicou à denuncia das mistificações ideológicas do capitalismo, principalmente contra a pseudofilosofia do nazismo. Por isso foi por eles, sumariamente, executado.

As manobras das ONGs neoliberais, por mais sutilezas que possam ter ,não escondem suas posições contrárias ao socialismo. Temos travado diálogos pesados com representantes e dirigentes de ONGs que, abertamente, não aceitam a liderança de Fidel Castro e dizem que "Cuba é uma ilha de pobreza".

É importante analisar o papel das ONGs na sociedade, na luta social, no embate revolucionário e como tem sido utilizadas pelo sistema. Seja qual for o real aparecimento das ONGS, a verdade é que tem se convertido, com raras exceções, num excelente elemento desmobilizador das lutas populares e revolucionárias. E estas organizações estão cheias de revolucionários que honestamente estão na luta mas que estão ali, divididos, diminuidos, equivocados e, o que é pior, muitos deles já cooptados.

Segundo Petras, as ONGs se adonaram da linguagem da esquerda: "poder popular", "fortalecimento do poder", "igualdade de gênero", "desenvolvimento sustentável", "sociedade organizada", etc. O problema é que essa linguagem está vinculada a uma estrutura de colaboração com os doadores e agências governamentais que subordinam a atividade prática à política de não confrontação.

Suas ações se restringem a falar "dos excluidos", dos "sem voz", da "extrema pobreza" , da "discriminação racial ou de gênero" , sem ir mais além dos sintomas, comprometendo-se assim com o sistema social que produz e reproduz essas condições. Ao incorporar os pobres a economia neoliberal através , somente, da "ação voluntária privada", as ONGs criam um mundo político no qual a aparência de solidariedade e ação social oculta uma conformidade conservadora com relação a estrutura do poder nacional e internacional.

Por isso não é casual que em regiões onde as ONGs são dominantes, os movimentos de ações políticas independentes tenham enfraquecido e o neoliberalismo campeia sem oposição alguma. Enquanto a maioria das ONGs são instrumentos do neoliberalismo, há uma pequena minoria que tenta desenvolver uma estratégia alternativa que apoia política de classe e anti-imperialista. Estas não recebem recursos do Banco Mundial ou de agências governamentais européias ou norteamericanas. São ONGs comprometidas e vinculadas as organizações de poder local com as lutas pelo poder do Estado.

Os representantes e funcionários das ONGs proporcionam a retórica "populista" em torno da sociedade civil que ligitimam as políticas do livre mercado. Para os ex-esquerdistas, ex-marxistas e "progressistas" das ONGs, o antiestatismo é a passagem que os concede trânsito ideológico da política de classe e o desenvolvimento comunitária à caminho do neoliberalismo.

A diferença entre os intelectuais orgânicos e os intelectuais pragmáticos das ONGS é que os orgânicos, comprometidos com o socialismo, oferecem uma real alternativa ao NãoGovernamentalismo. São intelectuais que seguem o ideário da Escola Revolucionária, da Universidade Operária de Paris, que teve como um dos fundadores,em 1932, Georges Politzer. Os intelectuais orgânicos, espalhados pelo mundo - que não se dobraram ao "canto da sereia" do neoliberalismo - propagam a análise e a educação para a luta de classe, em contraste com os "intelectuais pós-marxistas das ONGs", que estão encastelados no mundo das instituições, seminários acadêmicos, fundações estrangeiras, conferências internacionais e relatórios burocráticos. A força dos intelectuais críticos que difundem o socialismo reside no fato de que suas idéias estão afinadas em mudar realidades sociais.

A aparente neutralidade exigida das ONGs é uma neutralidade cúmplice do sistema pois convida a não lutar, a acalmar os ânimos da rebeldia dos povos, que não estão dispostos a ser explorados impunemente.

Falando Francamente... acreditamos que a alternativa real para os pobres não pode ser a luta individual, a ajuda ao regime, a passividade que estão imbutidas nas ações das ONGs. A alternativa é a luta pelo socialismo.


[Artigo tirado do sítio web 'La Insignia', 5 de marzo de 2002]

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