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Santiago, 9 de xaneiro de 2008

Estados Unidos: Um clube de milionários
 

Juan Gelman-

ODiario.info


Os EUA são provavelmente o único país do mundo cujo banco central é privado e não é possível compreender a crise financeira actual nem o aumento do abismo que separa os ricos dos pobres sem ter isso em conta. Um consórcio de 12 grandes bancos estadunidenses constituiu o sistema da Reserva Federal (FED na sua sigla em Inglês), imprimem dólares e o seu principal cliente é o governo.



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Os bancos privados da FED procuram à viva força manter o ingente rendimento que o sistema proporciona e os Estados que, como o Irão, desejam basear no euro as suas trocas comerciais internacionais são chamados de terroristas. Os bancos centrais do mundo são obrigados a ter reservas monetárias em dólares e os países exportam produtos para os EUA a troco de papéis sem garantia em ouro, que só custam o preço de impressão. O dólar é outro instrumento e dominação dos EUA. Parafraseando um antigo provérbio chinês, quando o dólar fala, a verdade cala-se.
 
Um senador estadunidense ganha 165.000 dólares anuais e é obrigado a declarar o seu património. Mas cerca de metade dos 100 membros do Senado é formada por poderosos que, em média, possuem 8,9 milhões de dólares em bens móveis, imóveis, acções, títulos do tesouro e outras minudências. Em contrapartida, só 1 por cento dos norte-americanos possui de um milhão para cima (Forbes, 20/11/06). Claro que alguns são mais iguais que outros e à cabeça está o democrata John Kerry, ex candidato à presidência dos EUA, com uma fortuna calculada m 750 milhões de dólares, de acordo com o diário Roll Call, que cobre as notícias do Capitólio desde 1955 (www.rollcall.com, 10/9/07). Imediatamente a seguir, mas longe, vem o também democrata Herb Kohl, com apenas 243 milhões. Kerry iniciou a sua ininterrupta carreira senatorial em 1984 e Kohl em 1988. Há que dar tempo ao tempo.

O investigador Donald Ritchie que sempre foi assim a história do Senado desde fins do século XIX, começos do século XX, quando homens de negócios como George Hearst, pai de William Randolph, se tornaram membros dessa Câmara do Congresso. O escândalo da sua fortuna fez com que em 1913 se estabelecesse a eleição directa dos senadores, pois anteriormente eram designados por legislaturas estatais. Tampouco faltam representantes endinheirados na Câmara baixa: o Center for Responsive Politics de Washington compilou informações que atribuem ao republicano compilou informações que atribuem ao republicano Darrell Issa a bagatela de 677 milhões de dólares. Issa é um magnate da indústria electrónica que em jovem foi acusado de ter fugido com um par de carros e de ter forjado o roubo do seu próprio Mercedes Benz. É conhecido pela invenção do alarme Viper contra o roubo de automóveis. Matéria para que não lhe faltará experiência.

Este é apenas um aspecto do fenómeno geral. Os estadunidenes mais ricos bateram um recorde: a sua participação no rendimento nacional é a mais alta de sempre desde começos da década de 1920 (The Wall Street Journal, 12/10/07). Segundo dados do International Revenue Service (IRS na sua sigla em inglês), em 2005 1 por cento acumulou 21,2% do rendimento total – um aumento de 2,2 em relação ao ano anterior – enquanto os 50 por cento mais baixos tiveram uma descida de 0,6 por cento. Para Jason Furman, investigador do Brookings Instituition, esta desigualdade acentuou-se nos últimos 30 anos. Steven Kaplan e Joshua Rauh, da Universidade de Chicago, pensam que é difícil passar por ao lado da noção de que isso se deve, em parte, “a uma questão financeira e industrial (manipulada) por Wall Street. W Bush não se incomoda: sublinha que “a nossa sociedade teve uma desigualdade de rendimentos durante muito tempo”. Costumes são costumes.

Os EUA são provavelmente o único país do mundo cujo banco central é privado e não é possível compreender a crise financeira actual nem o aumento do abismo que separa os ricos dos pobres sem ter isso em conta. Um consórcio de 12 grandes bancos estadunidenses constituiu o sistema da Reserva Federal (FED na sua sigla em Inglês), imprimem dólares e o seu principal cliente é o governo. Caracteriza-se por manipular o sistema monetário, por isso a crise financeira mais recente, provocada pela péssima gestão do crédito num quadro de um deficit orçamental brutal, teve repercussões mundiais. A FED emitiu uma tal quantidade de notas que supera amplamente as reservas de ouro do país, nada pequenas, graças às imposições do pós guerra de exportações para uma Europa exausta. Em 1971, Richard Nixon cancelou a relação ouro/dólar e desde aí as notas não estão cobertas pelo metal amarelo nem garantidas pelo Estado.

O funcionamento da FED parece a fábula de uma mente febril: empresta ao governo os dólares que imprime a baixo custo contra obrigações em títulos e os bancos recebem os juros anuais que estes vençam. Não está mal, tratando-se de papéis coloridos chamados dólares. A Justiça estadunidense rejeitou sistematicamente as acções civis interpostas destinadas a anular a lei que criou a FED em 1913. John F. Kennedy tentou modificar por decreto presidencial a ordem executiva 11110. Pouco depois foi assassinado. Curiosamente, o primeiro acto do governo do seu sucessor, Lyndon Johnson, foi anular a ordem, ainda no avião que o transportava para Washington. De Dallas, lugar do magnicídio. Simples casualidade, naturalmente.

Os bancos privados da FED procuram à viva força manter o ingente rendimento que o sistema proporciona e os Estados que, como o Irão, desejam basear no euro as suas trocas comerciais internacionais são chamados de terroristas. Os bancos centrais do mundo são obrigados a ter reservas monetárias em dólares e os países exportam produtos para os EUA a troco de papéis sem garantia em ouro, que só custam o preço de impressão. O dólar é outro instrumento e dominação dos EUA. Parafraseando um antigo provérbio chinês, quando o dólar fala, a verdade cala-se.


[Artigo tirado da revista electrónica ‘ODiario.info’, 4 de xaneiro de 2008]

 
 
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