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Actualidade / Artigo Os limites da “mudança” nos Estados
Unidos Luiz Carlos Azenha-
E é de mudança que todos falam. "Mudança com experiência", diz a campanha de Hillary Clinton. "Mudança com esperança", diz a campanha de Barack Obama. "Mudança com mão firme", sugerem os que apóiam John McCain. "Mudança com Cristo", é a mensagem de Mike Huckabee. Os limites da mudança estão expressos na própria origem dos candidatos que acabo de citar: só Huckabee é genuinamente um "outsider", um candidato que vem de fora do círculo de poder de Washington - foi governador do estado de Arkansas. Mesmo Obama, cuja campanha busca transceder a base tradicional do Partido Democrata, é refém de posições políticas sem as quais não teria qualquer chance de concorrer à Casa Branca. Em recente debate dos candidatos democratas, por exemplo, quando um jornalista perguntou a Barack Obama o que ele faria se tivesse informações seguras da presença de líderes da Al Qaeda na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão, o senador respondeu que os atacaria sem consulta aos países envolvidos, endossando indiretamente a doutrina de guerras preventivas do governo Bush. Obama tenta forjar um movimento suprapartidário para "devolver" Washington aos eleitores, um discurso rapidamente adotado por outros candidatos, cada um com suas peculiaridades. "Sim, podemos", o novo refrão da campanha do senador, curiosamente é o slogan da United Farm Workers, o sindicato dos trabalhadores na agricultura. "Sí, se puede" tem grande apelo na comunidade hispânica que poderá ser decisiva na disputa das prévias de alguns estados, especialmente Texas, Novo México, Arizona e Califórnia. "Sí, se puede" faz lembrar César Chávez, o líder dos direitos civis que morreu durante uma greve de fome e, curiosamente, era contra tanto a imigração legal quanto ilegal, argumentando que ela servia para derrubar salários. Tendo demonstrado, em Iowa e New Hampshire, que também consegue apoio de eleitores brancos, a estratégia de Obama parece ser a de formar uma "coalizão" dos descontentes, que incluiria o eleitorado negro, hispânico, parte da base tradicional do Partido Democrata - especialmente os sindicatos - independentes e até mesmo republicanos moderados. No caminho dele estão a experiência, a competência e o carisma que se conjugam no casal Bill-Hillary Clinton, que tem a preferência da máquina do partido. Independentemente de quem seja o candidato escolhido pelos democratas, o "qualquer um, menos Bush" oferece um amplo campo de manobra para o Partido Republicano. John McCain, por exemplo, foi prisioneiro no Vietnã, é herói de guerra e combina um discurso de "mão dura" contra os terroristas com posições relativamente moderadas em temas sociais. A coalizão religiosa que foi fundamental para eleger George W. Bush duas vezes - formada por católicos, evangélicos e judeus conservadores - gravitaria para McCain por considerá-lo um mal menor. A tarefa dele, se escolhido candidato, seria conquistar a maioria dos independentes, que é como se definem hoje 35% dos eleitores americanos. Guerras, terrorismo, gasolina cara e insegurança econômica formam um caldo de cultura em que não é pequeno o potencial do "mudar com medo". "Medo" de cinco lanchas iranianas, armadas de metralhadoras, que na versão do Pentágono "ameaçaram" um destróier, um cruzador e uma fragata dos Estados Unidos, armados com mísseis, torpedos e canhões de última geração. Quando deixou o poder, em 1961, o presidente Dwight Einsehower fez um famoso discurso em que alertou os americanos para o perigo do que definiu como "complexo industrial-militar". Disse Einsehower, então: "Fomos forçados a criar uma indústria de armamentos permanente de vasta proporções. Além disso, três milhões e meio de homens e mulheres estão engajados diretamente no establishment da defesa. Nós, anualmente, gastamos com segurança militar mais do que o lucro líquido de todas as corporações dos Estados Unidos. A conjunção de um imenso establishment militar com uma grande indústria de armas é uma nova experiência americana. A influência total - econômica, política, mesmo espiritual - é sentida em toda cidade, todo estado, toda casa, todo escritório do governo federal. Reconhecemos a necessidade imperativa desse acontecimento. Mas não podemos deixar de compreender as suas graves implicações. Nosso trabalho, nossos recursos e nossas vidas estão envolvidos, tanto quanto a própria estrutura de nossa sociedade. Nos bastidores do governo, precisamos nos guardar contra a aquisição de uma influência indesejada, pretendida ou não, por parte do complexo industrial-militar. O potencial para a ascensão desastrosa de um poder indevido existe e vai persistir. Não podemos deixar o peso dessa combinação colocar em perigo nossa liberdade ou o processo democrático". Quase meio século depois, os interesses políticos e econômicos ligados à Defesa estão representados em quase todos os distritos eleitorais do país. Não é incomum ver um democrata que se opõe à ocupação do Iraque protestar quando um possível corte no Orçamento ameaça empregos na região ele representa. Está aí o verdadeiro limite que qualquer ocupante da Casa Branca, seja ele republicano ou democrata, não quer, não pode ou não consegue atravessar.
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ÚLTIMA REVISIÓN: 12/01/2008 |
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