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Santiago, 2 de febreiro de 2008

A Crise
 

Eduardo Bomfim-

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As nações emergentes diversificaram as suas relações comerciais e financeiras, alterando o círculo de maciça dependência para com um só pólo hegemônico financeiro. Exatamente por essa razão é que aparece um elemento diferenciado na atual crise global, iniciada nos EUA. Os seus efeitos sobre os paises emergentes como Brasil, Índia e outros, não são, até o momento, bombásticos.



  Crise financeira global; clic para aumentar
Torna-se essencial que os fundamentos da economia não sejam guiados através de estratégias conservadoras. Antes que uma questão econômica, o problema é prioritariamente de natureza política. Quer dizer, tudo vai depender de decisões vitais para que a nação, mesmo atingida pela crise global em curso, conduza o barco para águas menos agitadas em um oceano revolto.
 
É impossível desmentir que a atual crise da economia norte-americana foi uma crônica anunciada. Como já se pode observar, a chamada bolha do setor imobiliário desnudou a profundidade dos outros fatores que permeiam a realidade de uma grande instabilidade, associada a imensos prejuízos no mercado financeiro e diversos segmentos do setor produtivo.

Conduzindo a maior economia mundial a um incontestável processo recessivo. Alguns especialistas, afirmam que estamos vivendo a maior crise econômica pós-segunda guerra mundial. A repercussão já se faz sentir em todos os continentes, afetando, em graus distintos, todas as nações. Diferente das crises de 1991 e 2001, o epicentro da intensa turbulência encontra-se nos Estados Unidos.

As suas conseqüências possuem efeitos colaterais contrários às anteriores, porque surgiram outros pólos econômicos internacionais. As nações emergentes diversificaram as suas relações comerciais e financeiras, alterando o círculo de maciça dependência para com um só pólo hegemônico financeiro.

Exatamente por essa razão é que aparece um elemento diferenciado na atual crise global, iniciada nos EUA. Os seus efeitos sobre os paises emergentes como Brasil, Índia e outros, não são, até o momento, bombásticos, como em outras épocas.

É provável que o país, mesmo sendo atingindo de várias maneiras pelas ondas sísmicas da crise do capital, mantenha um ritmo de crescimento, desde que fortaleça o seu mercado interno, invista pesado no setor produtivo, possibilitando uma maior geração de renda e empregos.

Para tanto, torna-se essencial que os fundamentos da economia não sejam guiados através de estratégias conservadoras. Antes que uma questão econômica, o problema é prioritariamente de natureza política. Quer dizer, tudo vai depender de decisões vitais para que a nação, mesmo atingida pela crise global em curso, conduza o barco para águas menos agitadas em um oceano revolto.

Caso o governo federal, venha ceder às tentações de uma linha conservadora, de arrocho fiscal, para enfrentar os desdobramentos do vendaval originado nos EUA, o resultado será um mergulho na recessão.

A nação detém substanciais reservas, comércio multilateral. Mesmo com a crise mundial do capitalismo, é possível sair, lá na frente, fortalecida. O nosso futuro depende da adoção de urgentes e ousadas iniciativas políticas.


[Artigo enviado a www.galizacig.com polo autor, 01/02/2008]

 
 
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