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Santiago, 9 de abril de 2008

Veteranos de guerra denunciam crimes no Iraque

 

Michael Kramer

Actualidade GalizaCIG

Veteranos do Iraque Contra a Guerra denunciam em Washington os crimes cometidos contra o povo iraquiano em cinco anos de ocupação norte-americana.

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Centenas de veteranos da chamada guerra ao terrorismo promovida pela administração Bush participaram na audição do Winter Soldier 2008 realizada em Washington, D.C., de 13 a 16 de Março, no National Labor College, um associado da AFL-CIO nos arredores de Washington.
A iniciativa de quatro dias, organizada pelos Veteranos do Iraque Contra a Guerra (IVAW, na sigla inglesa), foi a mais importante das centenas realizadas por todo o país durante a semana que assinalou o 5.º aniversário da invasão e ocupação norte-americana do Iraque.

A maioria dos veteranos participou nas ocupações do Iraque e/ou do Afeganistão – muitos em múltiplas missões de mais de 15 meses cada. Alguns ainda se encontram no activo. Nos seus relatos falam de espancamentos, prisões, torturas, humilhações e morte de civis pelas forças norte-americanas. E explicam que isso não é apenas uma prática de um pequeno grupo de indivíduos perturbados, antes faz parte do padrão de operações militares, em particular contra as pessoas que de forma mais evidente manifestam a sua oposição à ocupação do seu país.

Muitos estão afectados com memórias traumáticas e remorsos por terem participado em tais actos. A audição foi conduzida no formato de painéis com testemunhas oculares. Para além dos oradores, mais de 100 outros veteranos prestaram depoimentos detalhados das suas experiências de tratamentos cruéis durante a ocupação do Iraque.
Falando no primeiro dia de audições no painel sobre Regras de Combate (RoE, em inglês), o veterano Adam Kokesh, que esteve durante um ano, a partir de Fevereiro de 2004, em Fallujah, no Iraque, disse que os seus comandantes «mudavam o RoE mais vezes do que mudavam de camisa. A dada altura, impusemos o recolher obrigatório na cidade e disseram-nos para disparar contra tudo o que se movesse no escuro».
Steve Casey, que passou um ano no Iraque a partir de meados de 2003, não muito depois da invasão dos EUA que era suposto «libertar» o povo iraquiano, disse: «Vi soldados dispararem contra radiadores e janelas de carros parados. Os que não voltassem para trás eram desgraçadamente neutralizados de uma forma ou de outra – testemunhei isto pessoalmente mais de 20 vezes».

Jason Hurd esteve em serviço no centro de Bagdad durante um ano, a partir de Novembro de 2004. Contou como reagiu a sua unidade após se ter extraviado num tiroteio: «Disparámos indiscriminadamente contra um edifício. Coisas como estas acontecem frequentemente no Iraque. Nós reagimos com medo pelas nossas vidas, e reagimos com a destruição total.»

Jason Wayne Lemieux, um marine, esteve por três vezes no Iraque. Contou como de cada vez as regras de combate haviam sido mudadas para encorajar a carnificina de civis. Da segunda vez, se uma pessoa «trouxesse uma pá, ou estivesse no telhado a falar ao telemóvel, ou estivesse na rua depois do recolher, devia ser morta... Na terceira vez, disseram-nos apenas que podíamos matar pessoas, e que os oficiais tomariam conta de nós.»

Um marine veterano, o artilheiro John Michael Turner, arrancou as suas medalhas da camisa e deitou-as para o chão ao testemunhar sobre o assassinato de pessoas que ele sabia serem inocentes. «Quero dizer que estou arrependido pelo ódio e destruição que eu e outros infligimos a pessoas inocentes.»

Sindicatos tomam posição

A maioria dos membros do IVAW vem das fileiras dos alistados e tem cerca de 30 anos. São tanto de zonas urbanas como rurais. Muitos estavam encaminhados para enveredar pela carreira militar, mas agora são resistentes de guerra.
A audição foi apoiada do ponto de vista logístico e de pessoal pelos Veteranos Pela Paz e pelos Veteranos do Vietname Contra a Guerra, dois movimentos de uma geração anterior de dissidentes. Os seus testemunhos estão disponíveis em inglês no endereço ivaw

Num desenvolvimento novo para os Estados Unidos, uma parte do movimento sindical está a planear levar a cabo acções contra a guerra durante os protesto do 1.º de Maio. O International Longshore Workers (ILWU), um dos sindicatos mais activos relativamente às questões políticas, apelou a uma paralisação do trabalho nos portos da Costa Ocidental, a 1 de Maio, em protesto contra a guerra. «A direcção discutiu esta importante iniciativa e eu informei os trabalhadores sobre os nossos planos de fazer paralisações ('stop work') no 1.º de Maio», disse o presidente internacional da ILWU, Bob McEllrath.

Na Costa Oriental, o New York Metro Área, secção local do American Postal Workers Union, vai observar «dois minutos de silêncio às 1:00 AM, 9:00 AM e 5:00 PM» durante os três turnos de 1 de Maio para mostrar a sua oposição à guerra e ocupação do Iraque e às ameaças de Bush de atacar o Irão e a Síria.

(*) Michael Kramer é membro da organização Veteranos Pela Paz – Secção 021 e fez parte do pessoal de apoio da audição Winter Soldier.

 

 
 
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