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2/2/2009
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O Salvador: A FMNL com grande apoio para as eleições de março
Siareiros do FMLN a celebraren os resultados das eleccións municipais e lexislativas do pasado 18 de xaneiro.

Muitos afirmam que as eleições municipais e legislativas do domingo, 18 de janeiro, em El Salvador, foram um termômetro das eleições de 15 de março próximo, porém seria bom salientar que a Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMNL) tem muitas possibilidades de ganhar, pois, por seus resultados, tornou-se a primeira força política do país centro-americano.

Apesar da intensa campanha contra ela, e inclusive, da violência desatada de instâncias governamentais, assim como da ingerência do embaixador norte-americano em San Salvador, Charles Glazer, visando vincular tendenciosamente a FMLN às guerrilhas colombianas das FARCs, consideradas terroristas por imposição de Washington, a FMLN ganhou as eleições em 10 dos 14 departamentos do país e superou os resultados alcançados no país nas eleições de 2006, quanto ao controle de governos municipais.

Enquanto a FMLN aumentou de 58 para 86 o número de prefeituras, o partido situacionista Arena (Aliança República Nacionalista) diminuiu de 148 a 108, o Partido Constitucionalista Nacional (PNC), ficou com 28 das 39 que controlava, e a Democracia Cristã perdeu cinco, ocupando apenas nove.

A Frente perdeu, após 12 anos no poder, a prefeitura de San Salvador com apenas uma margem de dois pontos percentuais, o que indica que foi um voto de punição por uma má gestão administrativa da prefeita Violeta Menjivar, que cedeu seu lugar ao candidato governamental, Norman Quijano. Tal fato foi qualificado pela Arena como uma sorte de avanço do que considera que será uma vitória nas eleições, onde pretende manter a cadeira executiva, após duas décadas nessa posição.

Os meios transnacionais de comunicação, a imprensa privada e observadores opostos à FMLN, insistem em que a derrota em San Salvador é sinal de que as pesquisas mentem e que a FMLN não é a favorita entre o eleitorado. No entanto, não revelam que esse agrupamento conseguiu vencer nos municípios mais importantes que circundam a capital do país, como Santa Ana, controlada historicamente pela direita, onde ganhou um candidato de esquerda, e que é a segunda cidade mais importante de El Salvador.

Assim aconteceu, por exemplo, com a prefeitura de La Unión, sede do departamento com o mesmo nome, onde, pela primeira vez, uma candidata de esquerda tem preferência nas urnas.

O partido situacionista teve um fracasso ao perder Izalco, no departamento de Sonsonete, já que essa cidade constitui um símbolo e um bastião da Arena, a ponto de que ali nasceu este agrupamento de direita e se iniciaram as campanhas eleitorais nos últimos 20 anos.

Algo similar ocorreu no legislativo, onde a FMLN conseguiu, com dados até agora irreversíveis, 35 vagas, mais três das que tinha até hoje; a Arena, perdeu duas e ficou com 32, o PCN terá onze na nova legislatura e a Democracia Cristã perdeu uma, ficando apenas com cinco vagas.

Contudo, nenhum agrupamento terá maioria absoluta, mas, nem sequer fazendo alianças, a direita obterá maioria, o qual seria animador, se a FMLN ganhasse as eleições.

Outro aspecto que desmente a campanha sobre a suposta perda de apoio da FMLN é o fato de que San Salvador, cuja prefeitura perdeu, conta com 25 deputados ao Parlamento, dos quais, a FMLN ganhou 12. Este fato corrobora que o voto não foi contra a esquerda pela prefeitura, mas contra a má gestão.

Faltam menos de dois meses para as eleições. A FMLN tem muito trabalho ainda em relação a conseguir que o Tribunal Superior Eleitoral torne pública a lista de eleitores que até agora só controla a Arena, a qual usam à vontade, dando inclusive aos estrangeiros uma carteira de identidade única, neste caso a hondurenhos, nicaraguenses e guatemaltecos, que votam a favor do partido situacionista.

De qualquer jeito, uma vitória da FMlN em 15 de março próximo, mudaria o cenário centro-americano, onde, de diversas tendências político-ideológicas, a Nicarágua, Honduras e Guatemala se inseriram na nova onda de governos nacionalistas e populares, rompendo com o servilismo ao qual tinham acostumado o império e contribuindo com sua presença para a integração latino-americana.

Não podemos esquecer que El Salvador foi até hoje um peão incondicional de Washington. Foi o primeiro país centro-americano a assinar o Acordo de Livre Comércio com os Estados Unidos, o único que enviou um contingente militar ao Iraque e cujo presidente, Antonio Saca preferiu despedir o inquilino da Casa Branca, antes que participar da Primeira Cúpula da América Latina e do Caribe, recém-efetuada em Salvador, na Bahia, Brasil, onde, com posições soberanas e independentes, decidiu-se criar uma nova organização regional sem a presença de terceiros.

Uma vitória da FMLN devolveria El Salvador ao lugar que lhe cabe: ao lado de seus irmãos latino-americanos e caribenhos, para juntos, com base no respeito às diferenças, construir o caminho da integração, da soberania nacional, da paz regional e da justiça social.

[Artigo tirado da edición internacional do xornal cubano ‘Granma’, do 29 de xaneiro de 2009]

cig.prensa@galizacig.com