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27/7/2012
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A Síria está em guerra

A Síria está em guerra, esta é que é a verdade. Uma guerra fabricada no terreno durante mais de um ano, programada nos corredores do Pentágono desde os tempos da administração Bush, financiada há anos por uma criminosa cadeia de financiamento e ingerência de milhões de dólares que alimentou os mercenários políticos, fantoches de Washington e da NATO, que integram hoje o Conselho Nacional Sírio.

 A Síria vive tempos dramáticos para o seu povo. Os combates chegaram às principais cidades do país, primeiro Damasco e depois Alepo, a capital económica da Síria. Pelas fronteiras com a Jordânia entram dezenas de milhares de mercenários (40 a 60 mil nos últimos dias, segundo algumas fontes) recrutados em países como a Líbia e o Afeganistão, muitos deles pertencentes a grupos terroristas. Prossegue e intensifica-se a entrada de armamento no país, nomeadamente armamento pesado como armas anti-tanque e foguetes lança-granadas fornecidos pela NATO, por via da Turquia e pelas monarquias ditatoriais do Conselho de Cooperação do Golfo.

 Os grupos armados e financiados a partir do exterior por uma coligação de terror liderada pelos EUA, França e Alemanha, operacionalizada pela Turquia e financiada pelo Qatar e Arábia Saudita, tentam tomar posições em postos fronteiriços para facilitar a entrada de mais armamento e homens. É cada vez mais difícil de esconder a presença de agentes estrangeiros britânicos e franceses no terreno e os agentes da CIA treinam e escolhem os homens que a partir de campos de treino na Turquia são infiltrados no país. O exército israelita reforça as suas posições e acção nos montes Golã e são desferidas ameaças contra o governo sírio. O exército turco concentra enormes meios na sua fronteira com a Síria. Os «rebeldes» exigem que o Conselho de Segurança da ONU dê luz verde para que as bombas comecem a cair sobre o povo que dizem defender. Rússia e China, numa notável resistência às pressões e defendendo-se daquilo que sabem ser um projecto que lhes toca na sua própria segurança e soberania, bloqueiam no campo diplomático a legitimação da guerra de agressão directa.

 O atentado terrorista da passada semana contra a sede da segurança nacional síria, que vitimou três altos responsáveis do governo sírio, incluindo o ministro da defesa, Daud Rajha, documenta bem até onde está disposto a ir o chamado exército livre sírio e as potências imperialistas envolvidas no projecto de submeter a Síria. A versão oficial dos acontecimentos aponta para um atentado suicida, mas circulam relatos que apontam para a possibilidade de um ataque aéreo de drones, os aviões não tripulados norte-americanos que estão a matar centenas de civis no Iémen e no Paquistão. A confirmar-se esta versão, estamos perante uma elucidativa prova do grau de envolvimento dos EUA, confirmado aliás por acções dos últimos dias como bloqueios do sinal de satélite do canal Al-Dounia sírio ou a acção de pirataria da conta de Twitter deste mesmo canal pela CIA.

 A Síria está em guerra, esta é que é a verdade. Uma guerra fabricada no terreno durante mais de um ano, programada nos corredores do Pentágono desde os tempos da administração Bush, financiada há anos por uma criminosa cadeia de financiamento e ingerência de milhões de dólares que alimentou os mercenários políticos, fantoches de Washington e da NATO, que integram hoje o Conselho Nacional Sírio. Gente que desfila nas reuniões do Clube Bildergerg, vive comodamente em Paris (como Kodami, uma das figuras de proa do CNS) ou em Conventry (como Rami Abdel Rahman, o rosto do sinistro Observatório Sírio dos Direitos Humanos). O país que durante décadas desconheceu conflitos étnicos ou sectários; o país em que xiitas, sunitas, alauitas, druzos, curdos e cristãos conviveram pacificamente; o país em que as religiões islâmica e cristã coexistiram pacificamente num dos poucos estados árabes laicos do Mundo, este país, um dos poucos elementos de estabilidade na tumultuosa região do Médio Oriente, foi arrastado pelo imperialismo para uma guerra assente na incitação à violência sectária, que pode condenar o povo sírio a anos, senão décadas, de guerra e que pode fazer explodir de vez uma guerra regional que, dada a internacionalização a que está sujeita, pode redundar num conflito de dimensões imprevistas.

 Mas nem tudo são favas contadas. A operação Vulcão de Damasco redundou numa enorme derrota militar dos «rebeldes» e o exército sírio retoma o controle de várias zonas. É uma luta pela soberania do povo sírio, e por mais incrível que pareça, dada a violência dos combates, pela paz no Médio Oriente e no Mundo.

 

[Artigo tirado do sitio web portugués ‘Avante’, núm. 2.107, do 26 de xullo de 2012]

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