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30/3/2009
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Brasil, mobilización o día 30 de marzo

A direção nacional das centrais sindicais e dos movimentos populares voltaram a se reunir nesta sexta-feira em São Paulo para definir os últimos preparativos para o ato unificado contra a crise e as demissões, convocado para a próxima segunda-feira, 30 de março. No encontro, realizado na sede da Força Sindical, as entidades destacaram a receptividade da convocatória, que sublinha a necessidade da redução dos juros para fortalecer os investimentos públicos e impulsionar o desenvolvimento do mercado interno, com geração de emprego e renda.

"Está claro que o modelo de Estado mínimo, de privatização e desregulação de mercados ditado pela globalização neoliberal faliu. Agora, os responsáveis pela crise, os que lucraram com a especulação, querem que o Estado os socorra, buscam dinheiro público para seus bancos e empresas. Nossa manifestação unitária aponta para alternativas a essa lógica excludente. Temos uma pauta imensa contra a crise, mas que se resume na palavra de ordem: defesa do emprego e redução dos juros", sintetizou Antonio Carlos Spis, membro da executiva nacional da CUT e da Coordenação dos Movimentos Sociais.

De acordo com o secretário geral da CUT-SP, Adi dos Santos Lima, "o retrato do tamanho da crise pode ser visto pela amplitude de movimentos que convocam o dia 30, com um compromisso comum com a realização de uma grande mobilização pelo desenvolvimento". No caso de São Paulo, sublinhou Adi, "além de irmos à frente do Banco Central protestar contra os juros altos, vamos chamara a atenção do governo do Estado, que pouco tem feito contra a crise, enquanto o consumo se reduz, diminuindo o emprego e aumentando a violência. Esse ciclo vicioso precisa ser interrompido e, para isso, é preciso debater o modelo que queremos para o Estado".

Representando a direção nacional do MST, João Paulo Rodrigues manifestou-se "animado com a disposição das entidades de batalharem pela construção de um novo projeto e de continuar em estado de luta para que os trabalhadores do campo e da cidade não paguem a conta da crise". João Paulo defendeu uma campanha nacional pela reestatização da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), lembrando que a empresa privatizada, turbinada com recursos públicos do BNDES, mandou embora recentemente 4.270 trabalhadores.

A dirigente da Marcha Mundial de Mulheres, Sonia Coelho, defendeu a aceleração da reforma agrária e dos investimentos na agricultura familiar para garantir a soberania alimentar do povo brasileiro. Soninha também lembrou que "o 30 de março é dia de luta pela terra na Palestina" e manifestou o compromisso e a solidariedade das mulheres contra a política de terrorismo de Estado aplicada pelo governo de Israel contra os palestinos.

"Os que antes defendiam a política do Consenso de Washington, do neoliberalismo e do Estado mínimo, hoje querem socorrer bancos e montadoras multinacionais", denunciou o vice-presidente nacional da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira). "Vamos às ruas porque não aceitamos que as grandes corporações continuem usando da chantagem, da ameaça de demissões e retirada de direitos para garantir seus lucros às custas dos trabalhadores. Nosso movimento é de caráter nacional e luta pela redução dos juros, pois as taxas elevadas são hoje o principal entrave para o desenvolvimento do mercado interno", acrescentou Bira.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, enfatizou que a luta principal é contra a crise, e que a gravidade do momento propiciou um encontro inédito entre tantas entidades, com todas as centrais, movimentos sociais e partidos ligados aos trabalhadores. "Estaremos juntos no dia 30 para combater o desemprego e exigir a redução dos juros", sublinhou Paulinho.

Em nome da Conlutas, Zé Maria ressaltou que "será uma grande manifestação não só pelo tamanho, mas pelo aspecto político, de combate às demissões". Ele informou que a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) está trabalhando um Projeto de Lei para impedir as demissões em massa e que é necessário que o movimento pressione unido para pedir urgência constitucional à tramitação do pedido, já que com esta característica o PL teria 45 dias para ser votado pelo Congresso ou trancaria a pauta.

Representante da NCST, Chico Bezerra acredita que o dia 30 será o primeiro de muitos em que a classe trabalhadora estará unida, de Norte a Sul, "para dar um pontapé na crise e afirmar a necessidade do Estado estar a serviço da população e não dos grandes bancos e empresas, defendendo o emprego, o salário e os direitos trabalhistas e sociais".

O vice-presidente nacional da CTB, Nivaldo Santana, avaliou como estratégica a unidade dos movimentos sociais e populares, "para que os banqueiros e grandes capitalistas não joguem o peso da crise que causaram nas costas dos trabalhadores". "Nossa luta é contra o desemprego, o arrocho e a retirada de direitos. Nossa agenda é a afirmação do projeto de desenvolvimento, com valorização do trabalho. Não podemos aceitar que se garantam facilidades fiscais e creditícias às empresas, sem garantir emprego aos trabalhadores, sem contrapartidas nos investimentos públicos", disse.

O secretário geral da UGT, Canindé Pegado, lembrou que a data foi apontada pela Cumbre Sindical Latino-Americana, realizada em Salvador, e posteriormente acordada com as centrais sindicais internacionais no Fórum Social Mundial, em Belém. Ele falou sobre o acerto da convocatória e sublinhou: "Os trabalhadores não pagarão pela crise!".

Representando a Confederação das Mulheres do Brasil (CMB), a presidente da Federação das Mulheres Paulistas, Lidia Correa, enfatizou que "a principal arma para enfrentar a crise é a unidade, pois é ela que abre caminho para a vitória. Reduzir os juros significa mais produção, reduzir a jornada significa mais emprego, aumentar os salários significa mais desenvolvimento, controlar a remessa de lucros para as multinacionais significa mais investimento no mercado interno"

Pedro Paulo, da coordenação da Intersindical, saudou o processo de construção unitária da mobilização, frisando que "o que está em crise é o capital, os trabalhadores estão em luta pela construção de um novo modelo".

[Artigo tirado da páxina web da CUT Brasil, do 27 de marzo de 2009]

cig.prensa@galizacig.com