Logotipo CIG Confederación Intersindical Galega - Avantar - Opinion 30/5/2011
G8 toma medidas: internet, mundo árabe, África e energia no topo da agenda
José Goulão
Publicado en Esquerda ()
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A “Primavera Árabe” está na agenda do G8, encarada numa perspectiva de evitar que os regimes em formação optem por modelos económicos que não sejam compatíveis com a “economia de mercado” tal como é entendida pelos membros do G8.

 Os chefes de Estado e de governos dos oito países mais poderosos do mundo – G8 – e que concentram três quartos das despesas militares planetárias reúnem-se esta quinta e sexta-feira em Deauville, França, para discutirem os seus interesses comuns, entendidos como interesses de todos.

  Controlo dos direitos autorais na internet, definição e gestão dos sistemas económicos dos regimes saídos da “Primavera Árabe”, aposta a fundo no desenvolvimento e exploração do mercado africano, relançamento da energia nuclear e apropriação das questões ambientais como barreira às estratégias com base em energias alternativas e poupança de energia são os pontos essenciais da agenda.

 Todos os habitantes das zonas residenciais de Deauville incluídas no “perímetro de segurança” da cimeira do G8 foram identificados, fichados e as suas privacidades passadas a pente fino para protecção de Nicolas Sarkozy e hóspedes chegados dos Estados Unidos da América, Canadá, Japão, Reino Unido, Alemanha, Itália, Rússia e também em representação da União Europeia.

 Uma consulta do site oficial da cimeira de Deauville reflecte a grande preocupação das principais potências económicas e militares mundiais (onde ainda não figura a China) com o controlo da evolução das preocupações ambientais no mundo e com o enriquecimento do grande mercado mundial agora através do desenvolvimento do mercado africano. “O desenvolvimento do sector privado é o motor do crescimento em África”, sublinha a agenda da cimeira.

 As questões ambientais, uma das grandes preocupações gerais no mundo, mobiliza os dirigentes do G8 nesta reunião no sentido de reforçarem o controlo sobre o modelo em que tais assuntos devem ser inseridos. Os materiais da cimeira permitem perceber a marginalização das estratégias relacionadas com as energias alternativas e a poupança de consumo em contraste com a aposta nas energias convencionais.

 O relançamento da energia nuclear depois da tragédia de Fukushima é uma das preocupações da cimeira dentro do quadro da apresentação desta fonte energética como segura, a mais limpa e a mais importante das “alternativas”. Numa reunião que se realiza no país que é o maior produtor mundial de energia nuclear o relatório sobre segurança nuclear será apresentado pela Rússia 25 anos depois da tragédia de Tchernobyl, central então sob controlo de Moscovo.

 A “Primavera Árabe” está na agenda do G8, encarada numa perspectiva de evitar que os regimes em formação optem por modelos económicos que não sejam compatíveis com a “economia de mercado” tal como é entendida pelos membros do G8. O exemplo é dado pela presença em Deauville de 21 economistas de renome mundial que irão apresentar as bases de desenvolvimento da economia da Tunísia.

 Os chefes do G8 farão igualmente um balanço das guerras do Afeganistão, do Iraque e da Líbia, esta despoletada pelo próprio grupo durante a sua reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros realizada em Março. Na ordem do dia estarão os meios económicos e militares para sustentar o regime de Benghazi depois de a senhora Ashton, alta comissária da União Europeia para a Política Externa e de Segurança, ter declarado o “apoio incondicional” a essa facção da luta interna pelo poder.

 Altos responsáveis de impérios da internet como o Facebook e a Amazon serão recebidos pelo G8 no âmbito de uma previsível tentativa de controlo do funcionamento da rede, neste caso à luz do argumento da protecção dos direitos de autor.

 Apesar de alguns analistas citados na comunicação social francesa considerarem que Sarkozy dará grande importância à reunião do G20 em Novembro no âmbito da sua campanha de recandidatura à presidência, a reunião do G8 é, de facto, a que marca a agenda e toma as decisões estratégicas para a ordem mundial.

 

[Artigo tirado do sitio web portugués ‘Esquerda’, do 27 de maio de 2011]