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 <title>Francia</title>
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 <title>François Hollande, um ano de desencanto na França</title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/6-5-2013/francois-hollande-um-ano-de-desencanto-na-franca</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;François
Hollande não consegue passar para o país a imagem de um homem que governa, de
um homem que sabe onde vai com seu projeto. O presidente francês acredita na
pedagogia e nas etapas progressivas. Mas o desencanto de seus eleitores e a
crise lançam uma grande sombra sobre seu método. “As coisas não se acalmarão. O
pior ainda está por vir”, disse Hollande a seus assessores mais próximos. O
presidente francês parece um homem convencido de que, sem mudar grande coisa do
sistema, tudo vai melhorar com o passar do tempo. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
manchete de uma das últimas edições do vespertino Le Monde resume em sua
dimensão mais negativa o cenário que se instalou no país um ano depois de o
socialista François Hollande chegar à presidência da França: “Hollande, o ano
terrível”, escreve o diário, resumindo a mescla de decepção, tibieza, crise,
mau humor, sensação de indecisão, retrocessos e promessas não cumpridas que
acompanharam este primeiro ano da presidência.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Ainda
que em proporções maiores, François Hollande teve o mesmo destino de seu
predecessor, o conservador Nicolas Sarkozy: no ano inaugural do seu mandato,
Sarkozy caiu a níveis de impopularidade tão rápidos como profundos: Sarkozy
passou de 64% para 40%. François Hollande superou essa marca: o presidente
socialista chegou ao poder com uma popularidade de 53% e caiu agora para 27%.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Aqueles
que votaram nele em 2012 com a esperança de uma mudança real não sabem se foram
enganados, anestesiados ou se tudo isso é culpa de uma crise mal analisada pela
oposição. As realidades internacionais, as nacionais e até as pessoais barraram
com todos os sonhos que nasceram com a campanha eleitoral de 2011 e 2012. O
desemprego chegou em maio aos seus níveis mais altos desde 1997. Além disso, o
socialismo teve que administrar um destes escândalos que o imaginário popular e
um bom trabalho de comunicação dos social-democratas atribuem unicamente à
direita: o caso de um ministro que, entre tantas coisas, era encarregado da
luta contra a fraude fiscal, e que, como se descobriu, tinha uma conta bancária
na Suíça por meio da qual sonegava dinheiro do fisco. O mencionado ministro,
Jerome Cahuzac, foi ao mesmo tempo o árbitro fiscalizador e o golpista.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A sua
maneira contraditória, Sarkozy e Hollande atravessaram o mesmo inferno: Sarkozy
pagou o tributo de uma presidência “anormal” atravessada pelos excessos, a
velocidade, a híper presença, o ego desmedido e uma forma de manejar o poder
onde ele aparecia no lugar de todos os ministros. François Hollande ganhou de
Sarkozy com o argumento contrário: ele se propôs ser um presidente “normal” e
fazer uma presidência “normal”. O argumento foi útil como narrativa de
campanha, mas uma vez no poder essa normalidade se voltou contra ele.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;No
início do mandato, Hollande ainda passeava pelas ruas a pé, saudando as
pessoas. Mas se livrar do protocolo de um chefe de Estado foi um erro.
Acentuou-se ainda mais a imagem de um homem sem ascendência, indeciso, incapaz
de assumir a função com todo o aparato que se requer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
estratégia durou um trimestre e essa mudança também o prejudicou. As realidades
muito mais concretas se somaram ao desencanto: o descumprimento ou cumprimento
parcial, maquiado, de suas 60 promessas de campanha, o desemprego que cresce e
a impossibilidade, até agora, de reorientar a política europeia numa direção
onde não sejam as políticas de rigor, os ajustes e o controle dos déficits o
que desenhe o presente e o futuro de milhões de pessoas e coloque uma camisa de
força no crescimento.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;François
Hollande ganhou em maio passado não só por que se apresentou como o “anti
Sarkozy”, mas, também, como o antídoto das receitas restritivas da chanceler
alemã Angela Merkel. Nada mudou: Merkel segue no trono da austeridade e
Hollande se instalou no da impopularidade. A crise não se atenuou e o chefe de
Estado não pode mais do que constatar que, desde que chegou ao poder, 900
pessoas por dia se inscrevem na lista do desemprego.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A socialdemocracia
francesa havia prometido um mundo melhor, um país apaziguado, uma gestão mais
humana, uma dimensão profundamente social da ação política. O liberalismo
parlamentar tem os dentes muito sólidos para ser vencido apenas com palavras. A
frase com a qual, em janeiro de 2012, Hollande lançou sua campanha soa hoje
como uma canção de infância que se entoa para não esquecer que, alguma vez, a
realidade foi melhor: “meu inimigo não tem nome, não tem rosto nem partido,
nunca apresentará sua candidatura e jamais será eleito; no entanto, esse
inimigo governa. Esse adversário é o mundo das finanças”. E esse adversário
segue governando com um eixo diretor que vem da Europa e de cuja disciplina os
socialistas nunca se afastaram. Os eleitores da esquerda vem o socialismo
governante como uma equipe sem os atributos necessários para confrontar os
impérios das finanças, os mercados sem regulação, a especulação financeira e os
governos de direita liberal que pululam na Europa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Aí
está, para muitos analistas franceses, a possível tábua de salvação capaz de
tirar Hollande do buraco em que se meteu. Desviar o rumo das políticas
orçamentárias restritivas implementadas na Europa. Esse foi um dos grandes
argumentos de sua campanha: colocar fim à austeridade e ao sacrifício para
impulsionar políticas de crescimento na Europa. Até os economistas do Fundo
Monetário Internacional deram razão a ele: essas políticas restritivas vigentes
no Velho Continente impedem o crescimento. A França fechará 2013 com um
crescimento nulo pelo segundo ano consecutivo. Hoje se enxerga uma tímida
alternativa. O PS francês fez circular um texto de 21 páginas que será debatido
em meados de junho em um congresso sobre a Europa, no qual interpela Hollande a
“enfrentar” a direita europeia e a chanceler alemã. Angela Merkel é tratada
neste texto como “egoísta” e “intransigente”.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Alguns
observadores vem nesse texto a premissa de uma ruptura com as políticas atuais.
O PS precisa de mudanças urgentes: as eleições municipais e europeias de 2014
podem traduzir em derrotas eleitorais o descontentamento e a decepção. No
entanto, as medidas que são aguardadas vão contra essas ilusões. O Executivo
socialista se prepara para cortar os subsídios familiares, para reformar outra
vez o sistema de pensões para poupar dinheiro e para mudar também o
seguro-desemprego.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;François
Hollande permanece imperturbável, fiel ao seu lema: “um mandato se julga no
início e se sanciona no final”. No entanto, mesmo com medidas defensáveis e
novas, Hollande não consegue passar para o país a imagem de um homem que
governa, de um homem que sabe onde vai com seu projeto. O presidente acredita
na pedagogia e nas etapas progressivas. O desencanto de seus eleitores e a
crise lançam uma grande sombra sobre seu método. “As coisas não se acalmarão”,
disse Hollande a seus assessores mais próximos. O pior ainda está por vir. A
sanção se antecipou em vários anos a um homem convencido de que, sem mudar
grande coisa do sistema, tudo vai melhorar com o passar do tempo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado sitio web brasileiro ‘&lt;a href=&quot;http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21990&quot;&gt;Agência
Carta Maior&lt;/a&gt;’, do 2 de maio de 2013]&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Mon, 06 May 2013 09:56:22 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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<item>
 <title>O caminho da França, da esquerda à direita</title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/2-4-2013/o-caminho-da-franca-da-esquerda-a-direita</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A
Europa ocidental protagonizou três décadas – chamadas de “gloriosas” – de
Estado de bem-estar social que incluía, entre tantas conquistas, o pleno
emprego. Hoje, o desemprego corrói o tecido social, a austeridade impõe
recessão e os mais frágeis pagam a conta.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Tudo
começou há exatamente 30 anos, quando Mitterrand, depois de governar o primeiro
ano com o projeto histórico da esquerda – nacionalizações, Estado indutor do
crescimento economia, extensão dos direitos sociais – mudou seu rumo e aderiu
ao projeto neoliberal, triunfante sob o comando de Reagan e da Thatcher.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
França dava as costas à solidariedade com os países da periferia, para se
transformar em sócio subordinado do bloco anglo-saxão. A social democracia
abandonava seu projeto de “democratizar o capitalismo”, para somar-se às
posturas de atender às demandas do capital financeiro ascendente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Esse
imenso retrocesso foi possível quando foram sendo abandonados os princípios do
Estado de bem-estar social, que supõe um Estado regulador, para a centralidade
do mercado, que impõe as necessidades do grande capital.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
França tinha sido, nas décadas desde o pós-guerra, a vanguarda do pensamento
progressista no continente, que tinha como contrapartida a presença do
movimento operário no plano social e dos partidos socialista e comunista no
plano político.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;As
mudanças radicais no cenário político se deram pela combinação entre o fim do
da URSS – referência central para o PCF – e a virada mundial para a hegemonia
neoliberal, a que o PSF aderiu. A esse quadro se somou a imigração, que foi
profundamente explorada pela direita e, particularmente pela extrema-direita,
usando a ideologia chauvinista de rejeição aos trabalhadores imigrantes, que
supostamente colocavam em risco a situação dos trabalhadores franceses.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
França, que tinha sido caracterizada por Engels como o “laboratório de
experiências políticas”, por 1789, 1848, a Comuna de Paris de 1871, que
continuaria no século XX com o governo de Frente Popular nos anos 1930 e pelas
barricadas de 1968, mudou radicalmente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A extrema-direita passou a ser o partido
majoritário na classe operária francesa, na frente dos comunistas e dos
socialistas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Foi um
elemento a mais da virada ideológica que tornou a França o elo mais conservador
na Europa. A comemoração dos 200 anos da Revolução Francesa – como disse Eric
Hobsbawn – foi conduzida pelos seus inimigos. Hoje, enquanto nos EUA
consegue-se maioria para a posição a favor do casamento dos homossexuais, a
França – outrora país dos mais avançados valores – consolida uma posição
majoritária contra o reconhecimento do casamento homossexual.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
presidente da França, François Hollande, foi eleito pelo voto anti-Sarkozy,
pelo desgaste da austeridade e do estilo demagógico e autoritário do seu
antecessor. Mas Hollande não representa uma plataforma antineoliberal, no
máximo um descontentamento com a aplicação alemã da austeridade sem
contrapontos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Por
isso, Hollande aumentou os impostos, como única medida importante do seu governo.
Hoje ele é o presidente francês com menor apoio político – 30% –, depois de ter
sido eleito, há 10 meses, com 55%. Recaiu rapidamente sobre ele a maldição da
austeridade, que derrota todos os governos que a implementam. A exceção pode
ser a Alemanha, onde se realizam este ano as eleições mais importantes da
Europa atualmente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web ‘&lt;a href=&quot;http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&amp;amp;post_id=1216&quot;&gt;Agência Carta
Maior&lt;/a&gt;’, do 31 de marzo de 2013]&lt;/p&gt;</description>
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 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/7479">François Hollande</category>
 <pubDate>Tue, 02 Apr 2013 10:15:26 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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 <title>Franca: Hollande é alvo de rejeição massiva </title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/2-4-2013/franca-hollande-e-alvo-de-rejeicao-massiva</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O
presidente é o hoje o mais impopular de toda a história da quinta República e
nada consegue inverter a curva de queda. Esta semana, François Hollande
concedeu uma extensa entrevista na televisão francesa e a única coisa que
conseguiu foi ampliar a rejeição: 68% dos franceses consideraram que ele não
foi convincente. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Alguns
sentem saudade do ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy, 40%, outros
detestam o presente do socialista François Hollande, 64%. Nenhuma palavra,
nenhuma ação modifica o rumo da rejeição massiva de que é objeto o presidente
eleito em maio do ano passado. Hollande é considerado um mau presidente e
apenas 21% da população considera sua ação positiva. As sondagens negativas se
acumulam junto com as cifras adversas do déficit público, do desemprego, do
crescimento estagnado e do poder aquisitivo congelado. Frente à rudeza da
crise, a França tem nostalgia de seu antigo chefe de Estado. A adrenalina
destruidora de Sarkozy convence mais do que a inteligência, a lentidão
pedagógica e o reformismo moderado de François Hollande, O presidente é o hoje
o mais impopular de toda a história da quinta República e nada consegue
inverter a curva de queda. Esta semana, François Hollande concedeu uma extensa
entrevista na televisão francesa e a única coisa que conseguiu foi ampliar a
rejeição: 68% dos franceses consideraram que ele não foi convincente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O chefe
de Estado arrasta a sombra de suas próprias contradições e não faz mais do que
acentuar essa imagem de indefinição que seus adversários apontam. Na
entrevista, François Hollande disse: “agora não sou mais um presidente
socialista, mas sim o presidente de todos os franceses”. A frase é de uma
ambiguidade destruidora. Renúncia aos ideais? Recuo tático? Posicionamento para
a direita? Um enigma que se agrega aos enigmas de uma ação governamental que
está longe, muito longe, de ter cumprido com as promessas e as expectativas
suscitadas por sua campanha eleitoral.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Uma vez
no poder, o socialismo francês fez o de sempre e chegou mesmo a imitar a
direita: correu para o centro, buscou acalmar o apetite dos mercados em uma
Europa onde sempre manda o credo liberal da Alemanha, prometeu um arsenal de
medidas para simplificar as normas destinadas às empresas e, desde cedo, adotou
um histórico plano de austeridade e de controle dos gastos acompanhado por uma
política fiscal que fez dos ricos e das empresas sua principal fonte de
recursos. Durante sua intervenção na televisão, o presidente deu nome à sua
doutrina: já não se chama esquerda socialista ou outra coisa do gênero, mas sim
“uma caixa de ferramentas” para resolver a crise. Em uma coluna, o jornal
Libération se perguntava há alguns dias: Hollande ainda pode ser chamado de
esquerda?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;François
Hollande dá a impressão de não ser nem de direita, nem de esquerda. Essa
ambivalência cobre de sombra os atos positivos do trabalho governamental e lhe
valem massivas campanhas de desprestígio na internet: “stop Hollande” ou
“presidente catástrofe” são os temos que mais circulam na rede quando se trata
do presidente. Quanto postulou sua candidatura para enfrentar Sarkozy, o então
candidato Hollande se apresentou como um homem “normal” ante à exuberância
sarkozysta. Essa normalidade é agora seu pior atributo. O acusam de ser lento,
de não assumir os desafios, de carecer de política visível, de não ter o timão
do país nas mãos e de ter renunciado a mudar a sociedade pela esquerda.
Hollande é um reformista moderado ao qual falta potência e lirismo para acalmar
uma sociedade que, a cada dia, bebe na fonte da crise. O socialismo de Hollande
dá sempre a impressão de andar em uma carroça enquanto o país vive pressionado
pela velocidade da crise. Suas medidas sempre parecem chegar depois, do mesmo
modo que a pedagogia que as acompanha.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os
editorialista reconhecem que a França é um país muito exigente com seus
presidentes. Esperam dele que seja, ao mesmo tempo, um pai autoritário e
compreensivo, um homem de ação e de reflexão, um mago e um matemático. O
semanário “Le Nouvel Observateur” escreveu em sua última edição: “Na França, o
presidente deve ser um personagem de novela: as alegações razoáveis não são
aceitas. Os franceses são ambíguos: querem coisas concretas e também líricas;
querem contar e também sonhar. Querem Sancho Pança e também Dom Quixote”.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;François
Hollande não cumpre esses requisitos e a inconsolável França o despedaça. Com
uma pedagogia paciente, o presidente explica que sua linha não mudará:
reformista, realista e de um pragmatismo que não deixa lugar para o sonho ou as
mentiras líricas com que Nicolas Sarkozy acostumou a sociedade. Sarkozy drogava
o país com grandes missas cheias de miragens. Hollande recorre à explicação
razoável, ao hiper-realismo. Um mentia demasiadamente, o outro se perde em um
excesso de razoabilidade. Isso põe o país diante do paredão dos sacrifícios, da
austeridade e da missão sem salvação de cumprir com o dever imposto pelo
guardião liberal da União Europeia. Até se pode dizer que Hollande é um homem
razoável e que a sociedade que ele preside não o é.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O governo
aprovou um aumento considerável dos impostos cujo custo recaiu sobre os mais
ricos. Ao mesmo tempo decidiu aplicar cortes drásticos nos gastos para baixar o
déficit. A direita exige que ele baixe os impostos, aumente a desregulamentação
e suprima os subsídios sociais. A esquerda da esquerda quer mais aumento de
impostos para as empresas e os ricos, recusar uma parte da dívida e reativar a
economia com uma intervenção massiva do Estado. François Hollande não consegue
unir o país em torno de um projeto comum. Os sacrifícios, sem sonhos que os
acompanhem, são muito difíceis de digerir. Não há escapatória ao sarcófago
liberal que dita os destinos: déficits zero, sonhos zero, perspectivas zero,
além da obediência disciplinada e tecnocrática que o liberalismo europeu impõe
aqueles que integram esse grande espaço que a cada dia se esvazia mais de seus
enunciados humanistas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web ‘&lt;a href=&quot;http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21828&quot;&gt;Agência Carta
Maior&lt;/a&gt;’, do 1 de abril de 2013]&lt;/p&gt;</description>
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 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/7479">François Hollande</category>
 <pubDate>Tue, 02 Apr 2013 10:13:38 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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<item>
 <title>França neocolonial</title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/18-2-2013/franca-neocolonial</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Uma
primeira observação se impõe: a continuidade no fundamental das políticas do
governo da «direita» de Sarkozy e do governo «social-democrata» de Hollande
confirmando que, com inevitáveis nuances, ambos servem o grande capital francês
e que a social-democracia está hoje efectivamente transformada num pilar do
imperialismo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Quando
pela primeira o PCP usou a palavra «recolonização» na caracterização da
política do imperialismo, a alguns pareceu excessiva a formulação. Depois da
poderosa vaga do movimento de libertação nacional que praticamente varreu do
mundo o colonialismo, «neocolonialismo» foi o termo utilizado para significar
que a formação de estados formalmente independentes não representava afinal a
real conquista da soberania. Isto porque as ex-potências coloniais com a ajuda
do FMI e do Banco Mundial rapidamente criaram mecanismos de «ajuda» e
«cooperação» que ataram de pés e mãos os novos países independentes e sabotaram
corajosas tentativas de desenvolvimento independente e progressista. E o
desaparecimento do socialismo como sistema mundial deixou campo livre a uma contra-ofensiva
que representa um gigantesco salto atrás no processo de libertação dos povos
oprimidos e configura um autêntico regresso aos negros tempos do colonialismo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Vem
isto a propósito da intervenção militar da França no Mali, a que é necessário
voltar, não apenas para avaliar as suas graves implicações sociais, políticas e
militares no país e na região, mas para medir o seu mais profundo significado
em relação à estratégia da classe dominante francesa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Uma
primeira observação se impõe: a continuidade no fundamental das políticas do
governo da «direita» de Sarkozy e do governo «social-democrata» de Hollande
confirmando que, com inevitáveis nuances, ambos servem o grande capital francês
e que a social-democracia está hoje efectivamente transformada num pilar do
imperialismo. O que com Hollande a França está a fazer no Mali vem na
continuidade, e tem o mesmo sinal de classe, do que fez com Sarkozy na Líbia.
Uma segunda observação para chamar a atenção para a inserção da intervenção no
Mali nos ambiciosos projectos da França em África. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;À
influência política e económica de cariz «neocolonial» em países como Marrocos
ou o Senegal junta-se a interferência aberta com o apoio descarado a golpes de
Estado e a ditaduras que, como no caso do Chade ou da República Centro
Africana, os transforma em plataformas de uma política de ingerência e agressão
que nem sequer se limita à «África francófona», como se viu em Angola com o
apoio à UNITA. Hoje há bases militares e tropas francesas espalhadas por uma
vasta região que vai do Atlântico ao Mar Vermelho e abrange a maior parte do
Sahel. O intervencionismo recolonizador da França, sendo particularmente
visível em África não se circunscreve a este continente como mostra o seu
protagonismo no Líbano, o apoio aos sionistas de Israel, a hostilidade ao Irão,
a insistência com que o governo de Hollande tem incitado à agressão à Síria e
ao derrube do seu regime.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Na
análise das perspectivas de evolução da situação internacional é necessário não
subestimar o imperialismo francês e a sua tentação para responder à crise do
capitalismo com uma fuga para diante agressiva. A França, berço de grandes
revoluções, de grandes conquistas do movimento operário e grandes avanços de
civilização, é também berço de uma burguesia profundamente reaccionária e
inclinada aos piores crimes, como se viu na sangrenta repressão da Comuna de
Paris, na traição fascista de Petain, ou no terror contra a revolução argelina.
Esta realidade histórica não deve ser esquecida. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
França é uma poderosa potência económica, política e militar, partilha com a
Alemanha a hegemonia do bloco imperialista que é a União Europeia, é membro
permanente do Conselho de Segurança da ONU, regressou ao comando da estrutura
militar da NATO e dispõe de um poderoso arsenal nuclear.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web portugués ‘&lt;a href=&quot;http://www.avante.pt/pt/2046/opiniao/123803/&quot;&gt;Avante&lt;/a&gt;’,
núm. 2.046, do 14 de febreiro de 2013]&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Mon, 18 Feb 2013 10:28:41 +0100</pubDate>
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<item>
 <title>Que fai Francia en Malí?</title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/11-2-2013/que-fai-francia-en-mali</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Cando,
por primeira vez na historia, Alemana domina Europa e a dirixe con man de
ferro, Francia, ao exhibir a súa forza en Malí, quere mostrar que continúa
sendo, pola súa banda, a primeira potencia militar europea. E que hai que
contar con ela...&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O ano
2013 comezou, en Francia e na rexión do Sahel, ao son dos canóns. O 11 de
xaneiro, o presidente Fransois Hollande, enviou urxentemente a Malí un corpo
expedicionario para deter unha ofensiva ‘yihadista’ que ameazaba con se abalanzar
sobre Bamako. De xeito simultáneo, en Somalia, as forzas especiais francesas
lanzaban unha operación para intentar rescatar a un axente secreto tomado como
refén desde había tres anos polas milicias islamistas shabab, que rematou nun
bo chasco. Uns días máis tarde, preto da cidade alxeriana de In Amenas, na
fronteira con Libia, un comando salafista ocupaba un complexo gasístico e
executaba a varias ducias de estranxeiros antes de que Exército alxeriano o
aniquilase.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Dun
extremo ao outro, repentinamente, o Sahara está ardendo. Cales son as causas de
tal situación? En primeiro lugar está a reivindicación nacionalista tuareg. Os
tuaregs, ou “homes azuis”, non son nin árabes nin bereberes. Son os habitante
históricos do Sahara, do que controlan, desde hai miles de anos, as rutas das caravanas.
Mais o reparto entre as potencias coloniais fragmentou o seu territorio a
finais do século XIX. E cando as independencias, nos anos 60, os novos Estados
saharauís negáronlles o recoñecemento, aínda que só fose o dunha autonomía
territorial.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Razón
pola cal, concretamente no norte de Malí (denominado Azawad polos tuaregs) e en
Níxer, os dous países onde se sitúan as principais comunidades tuaregs,
apareceron moi axiña movementos armados de reivindicación nacional.
Producíronse grandes rebeliónes tuaregs en 1960-1962, despois en 1990-1995, en
2006 e de novo en 2007. En cada ocasión, conducidas polos Exércitos maliense e
nixerino, as represións foron feroces. Fuxindo dos masacres, numerosos combatentes
tuaregs deron en enrolarse entón, en Libia, no seo da Lexión tuareg do coronel
Muamar o Gadafi...&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
segunda causa da situación actual está na guerra civil alxeriana de principios
dos anos 90. Tras a anulación das eleccións de decembro de 1991, virtualmente
gañadas polos islamistas da Fronte Islámica de Salvación (FIS), esta guerra viu
enfrontarse as Forzas Armadas alxerianas contra os insurxentes do Grupo
Islámico Armado (GIA). Unha organización moi avezada na que había numerosos
combatentes que volvían de Afganistán -Ronald Reagan cualificounos de “Freedom
fighters”- onde, xunto aos muxaidíns, fixeran a guerra aos soviéticos co apoio
de Estados Unidos... O conflito alxeriano custou a vida a unhas 100.000
persoas. Terminou coa vitoria das autoridades alxerianas e a rendición das
guerrillas islamistas. Porén, unha fracción disidente, o Grupo Salafista para a
Predicación e o Combate (GSPC), decidiu proseguir a loita armada. Acosado polas
forzas alxerianas, buscou entón refuxio na inmensidade do Sahara, prestou lealdade
a Osama Ben Laden e á Al Qaeda en 2007, e adquiriu o nome de Al Qaeda no Magreb
Islámico (AQMI). As súas principais accións consisten, desde aquela, en
secuestrar a estranxeiros a cambio de importantes rescates. O seu terreo de
caza sitúase no Sahel, rexión árida e semidesértica que se estende desde
Senegal até Chad, pasando por Mauritania, Malí, Burkina Faso e Níxer. De feito,
foi unha katiba (brigada) do grupo Al Muwakaún Bidam (“Os que asinan co seu
sangue”), fundado por un ex-dirixente de AQMI, o alxeriano Mojtar Belmojtar,
alias “O Birollo”, quen atacou o complexo gasístico de In Amenas e asasinou a ducias
de estranxeiros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Para
rematar, a terceira causa é o ataque das forzas da OTAN contra Libia, en 2011,
e o derrocamento do coronel Gadafi. Para conseguir este obxectivo, Francia e os
seus aliados (en concreto Qatar) non dubidaron en armar os movementos
islamistas hostís a Gadafi. Movementos que obtiveron a vitoria sobre o terreo.
Con tres consecuencias: 1/ o esfarelamento e a descomposición do Estado libio,
que segue sendo presa, hoxe en día, das loitas mortíferas entre provincias,
milicias e clans; 2/ a distribución do arsenal militar de Gadafi entre os
movementos &lt;em&gt;yihadistas&lt;/em&gt; do conxunto do
Sahel; 3/ a volta a Malí dunha parte da Lexión tuareg sobrearmada e adestrada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Tamén
hai que ter en conta o pano de fondo socioeconómico. Malí, do mesmo xeito que
os demais países do Sahel, figura entre os Estados máis pobres do mundo. A
maioría da súa poboación vive da agricultura. Durante estes últimos anos, as
reducións das axudas ao desenvolvemento decididas polos países ricos afectaron
particularmente ao país. A súa principal produción, o algodón, derrubouse por
mor das políticas de &lt;em&gt;dumping&lt;/em&gt; que
practica o primeiro exportador mundial, Estados Unidos, así como polas secas
que sofre de xeito regular o Sahel a causa do quecemento global. Por outra
banda, as políticas neoliberais e as privatizacións impostas polo Fondo
Monetario Internacional (FMI) conduciron á redución dos orzamentos sociais
destinados a educación e sanidade. A pobreza e o malestar social agraváronse.
Isto presionou particularmente a unha parte dos mozos a buscar unha vía de
salvación na emigración, mentres que outros, ante tanta angustia social, son
máis sensíbeis ás chamadas dos salafistas que lles ofrecen, sen maior
dificultade, armas, poder e diñeiro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Este é
o contexto que acharon os tuaregs da antiga Legión de Gadafi ao seu retorno ao
norte de Malí provenientes de Libia. Por iso non tiveron dificultades para recrutar.
E decidiron integrarse no Movemento Nacional para a Liberación de Azawad
(MNLA). De xaneiro a abril de 2012, lanzaron ataques contra as guarniciones
malienses das principais cidades da rexión (Tombuctú, Gao e Kidal). Mal
equipado, o Exército maliense descompúxose e bateuse en retirada. Humillados e indignados
polo abandono do Goberno, un grupo de mozos oficiais dirixidos polo capitán
Sanogo subleváronse. Tomaron o poder en Bamako o 22 de marzo de 2012. Pero,
boicotados polos países veciños e as grandes chancelarías internacionais, estes
golpistas mostráronse incapaces de endereitar a situación. De feito, Malí, como
Estado, esfarelouse.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mentres tanto, no norte de Malí, o MNLA
proclamaba a “independencia” de Azawad e aliábase con dúas organizacións
islamistas radicais -provenientes de AQMI- que preconizaban a instauración da &lt;em&gt;sharia&lt;/em&gt;: o grupo salafista Ansar Dine e o
Movemento para a Unicidade e a Yihad en África Occidental (MUYAO). Estas dúas
organizacións -que dispoñen de moitos máis medios financeiros grazas á axuda
que lles aportaría Qatar (1), aos rescates pagos (entre outros por España) a
cambio de reféns occidentais e tráficos diversos (droga, contrabando)-
terminaron por apartar os tuaregs do MNLA.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Nacións
Unidas condenou a secesión de Azawad, pero mobilizouse con demasiada lentitude.
Houbo que agardar ao 20 de decembro de 2012 para que, a petición de Francia, a
ONU decidise finalmente crear a Misión Internacional de Apoio a Malí baixo
Liderato Africano (AFISMA, polas súas siglas en inglés), a cal se confiou aos
países da Comunidade Económica de Estados de África do Oeste (CEDEAO, polas
súas siglas en francés), que deberá “reconstituír a capacidade das Forzas
Armadas malienses” para recuperar o control do norte de Malí. Francia asegurou
que sostería este proxecto, pero Fransois Hollande comprometeuse a non enviar
tropas: “Son terminante -declarou o presidente francés-, non teremos tropas de
terra” (2). Pola súa banda, os representantes das forzas políticas, sociais e
relixiosas de Malí, reunidos en Uagadugú (Burkina Faso) para iniciaren
conversacións sobre o futuro do seu país, opuxéronse á intervención de forzas
militares da CEDEAO. De todos os xeitos, unha eventual reactivación da
reconquista militar do norte de Malí non estaba prevista antes de setembro de
2013... Este dato non escapa aos salafistas de Ansar Dine. Non só son, sobre o
terreo, os máis fortes, senón que teñen agora a certeza de que ninguén os
atacará nos próximos nove meses. Así pois, deciden aproveitar a oportunidade. E
lanzan unha operación dunha temeraria audacia. Varios miles deles,
poderosamente armados, a bordo dunhas 300 furgonetas &lt;em&gt;pick-up&lt;/em&gt;, abalánzanse por sorpresa, o 9 de xaneiro de 2013, sobre a
cidade de Konna, cerrollo estratéxico no camiño cara a Bamako. Vencen o
Exército maliense, que se bate en retirada deixándolles o campo libre cara á
cidade de Mopti. E, sobre todo, cara ao cuartel xeral de operacións do Exército
de Malí que está instalado no aeroporto de Sevaré, o único onde poden aterrar
avións de gran capacidade, indispensábeis para unha eventual reconquista do
norte.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Aí é
cando Francia, sen esperar a chamada de auxilio do presidente interino maliense
Dioncunda Traoré, decide intervir. Fransois Hollande ordena que as tropas de
elite do Exército francés situadas previamente en Níxer interveñan
inmediatamente. Transportadas en avións Transall C-160 e apoiadas por
helicópteros de combate, estas tropas atacan inmediatamente as columnas
islamistas e deteñen en seco o seu avance cara a Mopti e Bamako.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Así
comeza a operación Serval, coa participación duns 2.500 soldados franceses calorosamente
acollidos por unha gran parte da poboación maliense. O obxectivo declarado
desta operación evoluíu ao longo dos días. Antes da súa posta en marcha, Fransois
Hollande afirmaba, tal e como vimos, que Francia non interviría “en ningún caso”
(3). Ao intervir finalmente desde o 11 de xaneiro, o presidente minimizou o
alcance da operación explicando que se trataba “esencialmente de bloquear a
progresión cara ao sur de terroristas criminais” e, factor determinante, de “protexer
os aproximadamente 6.000 residentes franceses en Malí”. Pero despois, o 18 de
xaneiro, Fransois Hollande recoñeceu unha intención moito máis ambiciosa: ter “o
tempo necesario para que o terrorismo sexa vencido nesta parte de África”. Para
rematar, o 20 de xaneiro, o ministro francés de Defensa admitiu claramente: “O
obxectivo é a reconquista total de Malí” (4).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;En
realidade, os verdadeiros obxectivos de Francia permanecen confusos. En efecto,
París explicou que a operación Serval non fai senón responder a unha chamada de
axuda por parte de Bamako. Pero, dado que o Goberno maliense procede dun golpe
de Estado, a súa lexitimidade para requirir axuda é discutíbel (5).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O outro
argumento é que os salafistas de Ansar Dine aplican a &lt;em&gt;sharia&lt;/em&gt; en Tombuctú, destrúen monumentos antigos e “cortan mans”. E
que iso é “intolerábel”. Certamente. Mais, cando os salafistas se comportan
dese xeito simplemente obedecen á doutrina wahabí que o “gran aliado de
Occidente”, Arabia Saudita, difunde, coa axuda de Qatar “país igualmente wahabí”,
no conxunto do mundo musulmán, e particularmente no Sahel, a golpe de millóns
de euros... Porén, Francia ten as mellores relacións do mundo con Arabia
Saudita e Qatar, que mesmo son os seus aliados actualmente en Siria para apoiar
aos insurxentes islamistas e salafistas...&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;París
non di palabra doutros dous argumentos que probabelmente conten á hora de
activar a operación Serval. Un é económico e estratéxico: o control duradeiro
de Azawad por organizacións salafistas entrañaría, en maior ou menor prazo,
unha ofensiva sobre o norte de Níxer, onde se atopan as principais reservas de
uranio explotadas pola empresa gala Areva e das cales depende todo o sistema
nuclear civil de Francia. París non pode permitilo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O outro
é xeopolítico: cando, por primeira vez na historia, Alemana domina Europa e a dirixe
con man de ferro, Francia, ao exhibir a súa forza en Malí, quere mostrar que
continúa sendo, pola súa banda, a primeira potencia militar europea. E que hai
que contar con ela.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;___________________________________________________________________________&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Notas:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;(1) Léase o artigo “Notre ami’ du Qatar’
finance les islamistes du Malí”, Le Canard enchaîné, París,&amp;nbsp; 6 de xuño de 2012.&amp;nbsp; Léase así mesmo: Ségolène Allemandou, “Le
Qatar a-t-il des intérêts au Mali ?”, France 24, París, 21 de xaneiro de 2013
&lt;a href=&quot;http://www.france24.com/&quot; title=&quot;www.france24.com/&quot;&gt;www.france24.com/&lt;/a&gt; fr/20130121-qatar-nord-mali-groupes-islamistes&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;(2) Entrevista con Fransois Soudan, Jeune
Afrique, París, 22 de outubro de 2012.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.jeuneafrique.com/Article/JA2701p010-011.xml1/&quot; title=&quot;http://www.jeuneafrique.com/Article/JA2701p010-011.xml1/&quot;&gt;http://www.jeuneafrique.com/Article/JA2701p010-011.xml1/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;(3) Cf. France Info, 13 de novembro de 2012.
&lt;a href=&quot;http://www.franceinfo.fr/economie/les-principales-declarations-de-la-conference-de-presse-de-francois-hollande-801247-2012-11-13&quot; title=&quot;http://www.franceinfo.fr/economie/les-principales-declarations-de-la-conference-de-presse-de-francois-hollande-801247-2012-11-13&quot;&gt;http://www.franceinfo.fr/economie/les-principales-declarations-de-la-con...&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;(4) Declaracións de Jean-Yves Le Drian, 19 de
xaneiro de 2013, na emisión televisiva “C politique” da canle France 5.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;(5) Cf. Le Monde, París, 23 de xaneiro de
2013.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;___________________________________________________________________________&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado da edición española de ‘&lt;a href=&quot;http://www.monde-diplomatique.es/?url=editorial/0000856412872168186811102294251000/editorial/?articulo=e50c81aa-a40c-4ce9-b9cc-c8e93c649275&quot;&gt;Le
Monde Diplomatique&lt;/a&gt;’, núm. 208, de febreiro de 2013]&lt;/p&gt;</description>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/2018">Francia</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/2010">guerra</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/1614">imperialismo</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/7765">Mali</category>
 <pubDate>Mon, 11 Feb 2013 10:55:18 +0100</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
 <guid isPermaLink="false">36511 at http://www.galizacig.com/avantar</guid>
</item>
<item>
 <title>Mali: Questões sobre uma intervenção</title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/11-2-2013/mali-questoes-sobre-uma-intervencao</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Os
objetivos anunciados incluem de tudo. A duração da operação é &quot;o tempo que
for necessário&quot;, &quot;algumas semanas&quot;... As justificativas
políticas são de geometria variável. Os benefícios políticos para François
Hollande, autopromovido &quot;senhor da guerra&quot; são indiscutíveis, num
terreno onde tem a garantia de encontrar ampla aprovação em clima de
unanimidade nacional. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
França assumiu a liderança e decidiu sozinha sobre a forma de intervenção
militar no Mali para deter o avanço das milícias jihadistas, e em seguida
atacou as suas bases de retaguarda nas cidades do norte, bombardeadas por caças
Rafale. Apesar da &quot;união sagrada&quot; em França, e de um amplo apoio
internacional – incluindo de africanos – em torno da iniciativa do presidente
Hollande, levantam-se algumas questões ...&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os
objetivos de guerra: como no caso da Líbia, em 2011, são confusos. Ouvimos de
tudo: a segurança de cidadãos franceses; assalto agravado; guerra contra o
terrorismo; deter os grupos armados; impedir a tomada de Bamako etc. Se bem que
os grupos jihadistastenham procurado avançar em direção ao sul, não há nenhuma
evidência de que pretendessem lançar uma operação até Bamako, a capital
(localizada a mais de 800 km de Konna, localidade da qual haviam assumido o
controlo na semana anterior). Agora, é o ataque às bases em retirada dos grupos
armados. Para quando a &quot;limpeza&quot; do terreno?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Ler
também « La guerre du “Sahelistan” aura-t-elle lieu ? », uma reportagem no Mali
de Philippe Leymarie em Le Monde diplomatiquede janeiro de 2013.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Tropas
de terra: foram enviadas nos últimos dias, por conta da França, para o Mali.
Precisamente o que se evitou na Líbia em 2011. E o que evitam, de uma maneira
geral, os norte-americanos, ingleses, etc. Mas o que os franceses não
conseguiram impedir no Mali: um envolvimento mais profundo, mais
&quot;nacional&quot;, mais arriscado política e humanamente do que os simples
ataques aéreos realizados à distância e em segredo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Duração
da operação: é o menos variável (&quot;o tempo que for necessário&quot;,
&quot;algumas semanas&quot;, &quot;até que as forças do exército da África
Ocidental e do Mali retomem fôlego&quot;, etc .). Mas o tempo não joga
necessariamente a favor de quem intervém, e que pode ver-se ligado a uma imagem
de &quot;ocupante&quot; – como aconteceu no Afeganistão.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os
alvos: primeiro foram as colunas de combatentes na linha de demarcação, agora
são as bases de retaguarda dos movimentos jihadistasnos seus redutos a norte, a
centenas de quilómetros da &quot;linha da frente&quot;. Nada neste plano foi
realmente negociado, discutido e aprovado: é ao critério do país que toma a
iniciativa, numa quase clandestinidade. Em qualquer caso, uma guerra sem rosto,
durante estes primeiros dias.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
interpretação das resoluções do Conselho de Segurançaque fundamentam, em
princípio, a legitimidade da intervenção: tira-se daí o que se quer de uma
maneira &quot;ousada&quot;, que novamente faz recordar o precedente líbio.
Assim, a resolução 2085 de 22 de dezembro concentrou-se principalmente nas
negociações políticas necessárias, para separar a questão Tuaregue
(reivindicação nacional ou comunitária comparável à questão curda) da
constituição de polos jihadistas focados (em nome de uma interpretação
salafista da sharia) na repressão da população, na tomada de reféns, no
tráfico, nas operações de tipo terrorista, etc. Hoje, Paris pretende atuar
ofensivamente no norte do Mali a coberto daquela resolução que autorizava uma
negociação política e a implementação de uma operação das forças da África
Ocidental, mas reservava para mais tarde uma luz verde aos militares... Claro,
tudo isso foi um &quot;psst&quot;, ao estilo de &quot;a necessidade não conhece
leis.&quot;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Justificativas
políticas: são de geometria variável, com uma vertente &quot;grande
lacuna&quot; da esquerda que, desde a eleição de François Hollande, garantia
não querer continuar no papel de &quot;polícia da África&quot;​​,
dizer adeus ao &quot;Françáfrica”, &quot;deixar os africanos cuidar da sua
segurança, não agir senão ao abrigo da ONU, etc. No entanto, mesmo que a causa
pareça bastante justa, a França está em posição de agir na primeira linha, num
primeiro tempo sozinha, com os seus próprios recursos, o seu tradicional
conhecimento de África (que remonta aos tempos coloniais, particularmente no
respeitante à guerra no deserto). Corre o risco de ficar nessa pele por muito
tempo e não vão faltar &quot;amigos&quot; da França, pedindo-lhe para intervir
em favor deste ou daquele país.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;No
plano militar, cabe à França agir de forma independente, no &quot;teatro
aberto&quot; ou como uma &quot;nação-quadro&quot;: número de efetivos
relativamente limitado de ambos os lados (alguns milhares), terreno familiar
(Sahel) e &quot;livre&quot; (deserto), apoio na rede de bases e tropas
pré-posicionadas em Libreville, N&#039;Djamena, Djibouti (que fazem da França mais
de 50 anos após a independência, um caso especial). Se a França não tivesse
começado, ninguém o teria feito em seu lugar. Ela pode dizer: &quot;Intervenho,
logo existo.&quot; Mas deve fazer entender que não quer tornar-se polícia
regional, para o que – na realidade – não tem nem meios nem vontade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Adiamentos
africanos. É verdade que, à custa de preparar, discutir, atrasar a formulação
oficial de pedidos, criar instituições, assegurar o financiamento, dispor dos
meios técnicos, etc, estava-se nas últimas semanas perante um plano de ação que
não teria permitido a intervenção das forças da África Ocidental antes de
setembro de 2013, na melhor hipótese, ou seja, ano e meio após a divisão do
país e a tomada das cidades do norte porjihadistas. Em termos de segurança, os
africanos – à falta de recursos técnicos e humanos – arrastam-se nas
conversações, na mediação, na procura de consenso... correndo o risco de deixar
crescer os conflitos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Puritanismo
europeu: a missão de treinamento do exército maliano &quot;EUTM Mali&quot; há
seis meses no ativo, nem sequer foi iniciada no terreno pelos militares da
União Europeia, que passaram mais tempo a preocupar-se com a sua própria
segurança – numa zona ainda longe dos combates – do que a pôr-se concretamente
a caminho do Mali.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
posicionamento ofensivo francês (já observado em relação à Líbia em 2011 e à
Síria em 2012) fez de Paris o inimigo número um dos jihadistas, o novo
&quot;Grande Satã&quot;, com o risco de que os seus nacionais no local ou no
exterior, particularmente na África, se tornem alvos potenciais; ou que os seus
objetivos visem a França – o que provavelmente poderia ser evitado por um
dispositivo como o Vigipirate &quot;vermelho reforçado&quot;, ativado em caso
de &quot;ameaça altamente provável&quot;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os
benefícios políticos para François Hollande, autopromovido &quot;senhor da
guerra&quot; são indiscutíveis. O presidente &quot;normal&quot; – mais rosa do
que vermelho, mais social-democrata do que socialista, mais
&quot;soft-soft&quot; em tudo – não perde a oportunidade de exibir o papel de
duro, determinado, num terreno onde tem a garantia de encontrar ampla aprovação
em clima de unanimidade nacional. Além disso, o presidente francês dá uma oportunidade
de ação ao exército, quando se impõe um regime fiscal de emagrecimento. Única
desvantagem: se acontece uma desgraça aos prisioneiros agora reféns no Sahel,
como aconteceu durante a operação realizada no sábado na Somália para libertar
o agente francês detido há mais de dois anos, que teve o efeito desastroso que
sabemos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo do sitio web portugués ‘&lt;a href=&quot;http://www.esquerda.net/dossier/quest%C3%B5es-sobre-uma-interven%C3%A7%C3%A3o/26453&quot;&gt;Esquerda&lt;/a&gt;’, do
26 de xaneiro de 2013]&lt;/p&gt;</description>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/2018">Francia</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/2010">guerra</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/6995">Hollande</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/1614">imperialismo</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/7765">Mali</category>
 <pubDate>Mon, 11 Feb 2013 10:10:39 +0100</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
 <guid isPermaLink="false">36508 at http://www.galizacig.com/avantar</guid>
</item>
<item>
 <title>Razões da intervenção imperialista de França </title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/5-2-2013/razoes-da-intervencao-imperialista-de-franca</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A
intervenção da França no Mali inscreve-se numa longa tradição de intervenções.
Desde a independência das suas colónias africanas, a França interveio sessenta
vezes. A estratégia da França é manter a sua influência política e económica
através de um apoio inquebrantável a várias ditaduras que promovem os
interesses franceses. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Em
geral, quando o governo francês se ocupa dos malianos é para os expulsar; por
que, de repente, se transformou em defensor do povo do Mali? Para tentar
responder a esta pergunta, é inevitável assinalar as responsabilidades da
França na crise de Mali.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;1. As responsabilidades de França na crise do Mali&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;1.1 As
políticas de ajuste estrutural&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A crise
da dívida nos anos 80 teve um impacto dramático no continente africano. Para o
Mali, em 1968, a dívida era de 55 mil milhões de francos franceses, mas em 2005
tinha atingido os 1.766 mil milhões. Os planos de ajuste estrutural e as
políticas da Iniciativa dos Países Pobres Altamente Endividados (PPAE) tiveram
consequências desastrosas no Mali, dando lugar à privatização em massa das
empresas malianas em benefício de multinacionais, na frente das quais estão as
francesas. A distribuição de energia elétrica passou para o controle da Bouygues,
que está também presente na indústria de extração mineira, como é o caso da
mina de ouro de Morila. A Companhia de Desenvolvimento Têxtil do Mali, que
geria o sector do algodão, foi vendida parcialmente à Dagris. A Orange, através
da sua filial Ikatel, tomou conta das telecomunicações. O Escritório do Niger,
que gere a terra cultivável da bacia, converteu-se num promotor do
açambarcamento de terras. A isto se soma a presença de multinacionais como a
Delmas, a Bolloré com armazéns de 100.000 m2 para o armazenamento de algodão. A
segunda consequência é o debilitamento de um Estado incapaz de cumprir os seus
deveres sociais e de soberania. Os serviços de saúde e educação estão a
desmoronar-se, o exército – como se viu – é totalmente incapaz. Esta tendência
é mais pronunciada no norte do país, que é a região mais pobre.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;1.2
Corrupção em massa&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Ao
mesmo tempo, a classe política no Mali é especialmente corrupta. Amadou Toumani
Touré (ATT) e o seu clã têm armazenado milhões de dólares através da corrupção
e do tráfico ilegal, especialmente no norte do país. O tráfico de todo o tipo
financia não só os jihadistas, armados ou não, como também também a hierarquia
militar e a classe política. A França sempre apoiou Amadou Toumani Touré que
mesmo tendo devolvido o poder aos civis após o golpe de estado, se apresentou e
ganhou as eleições presidenciais de 2002-2007 e depois 2007-2012, numas
eleições cuja transparência e limpeza foram muito questionáveis. Como de
costume, a diplomacia francesa tolerou e apoiou ATT, apesar de conduzir ao país
ao abismo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;1.3 A
intervenção na Líbia&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
França esteve na vanguarda da intervenção militar na Líbia. Como no caso do
Mali, Sarkozy alegou o urgente da situação para intervir – então tratava-se de
colunas blindadas que estavam a ponto de entrar na cidade libertada de Bengazi.
Sabemos o que aconteceu, a intervenção para bloquear a coluna converteu-se numa
operação da Nato que sequestrou a revolução Líbia e evitou a golpe de
conquistas territoriais que se pudessem construir e estabelecer estruturas de
poder. A militarização total e a queda brutal de Khadafi criou um vazio
favorável para todos os grupos jihadistas e de traficantes que tomaram conta
dos arsenais khadafistas. O fulminante derrube do regime líbio, sem uma
estrutura alternativa de governo credível, desestabilizou toda a região ao
eliminar um instrumento de mediação de conflitos no Sahel.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;1.4 A
França brinca com fogo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
França, tal como outras potências imperialistas, compreenderam que ATT era
incapaz de lutar realmente contra a Al-Qaeda do Maghreb Islâmico (AQMI) no
norte de Mali. Trata-se de um tema essencial para França e a Areva, que tem
investido grandes somas de dinheiro para a extração de urânio no Níger, na zona
fronteiriça com o norte do Mali. Achou que poderia utilizar os tuaregues do
Movimento Nacional para a Libertação do Azawad (MNLA) como uma espécie de poder
adicional para garantir a segurança das instalações mineiras e conter os
ataques da AQMI. O MNLA é uma organização laica tuaregue que luta pela
independência de Azawad, situado no norte de Mali. É o resultado de uma
recomposição das organizações tuaregue. A maior parte das suas tropas
combatentes vêm da Líbia, onde serviram no exército. Com a queda de Khadafi
voltaram para o Mali com armas e veículos equipados com metralhadoras. Uma
caravana pode percorrer milhares de quilómetros sem problemas. A diplomacia
francesa da época, dirigida por Juppé, sempre fiel aos seus interesses,
explicou que tinha chegado o momento de iniciar as negociações com o MNLA para
lhe dar credibilidade e alento: &quot;Paris é favorável a um diálogo político
entre malienses”. Foi o que disse Alain Juppé na escadaria do palácio
presidencial de ATT: &quot;Trata-se de um diálogo político que ajuda a sair da
situação de impasse e evita o confronto. Um diálogo inter-maliense é
absolutamente necessário”. Nesta reunião, o ministro francês recordou que a
França se tinha comprometido a respeitar a integridade territorial de Mali e
que o inimigo número um tinha um nome: AQMI, a o-Qaeda no Magreb Islâmico1.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A trama
desenvolveu-se de maneira diferente do que esperavam os estrategas do Quai
d&#039;Orsay. O MNLA aliar-se-á com os jihadistas na luta contra o exército do Mali,
e serão expulsos das principais cidades do norte pelos seus antigos aliados. Há
quatro grupos jihadistas: Ansar Dine, organização tuaregue que se recusou a
unir-se ao MNLA e cuja prioridade é a introdução da sharia; AQMI, que vem do
GSPC argelino, o Grupo Salafista para a Prédica e o Combate; o MUJAO (Movimento
pela unidade da Jihad no oeste de África) e a seita Boko Haram, que semeia o
terror no norte da Nigéria atacando o Estado, bem como os nigerianos cristãos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;2. A política de França na crise de gestão do Mali&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;2.1
Lembrete&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
intervenção da França no Mali inscreve-se numa longa tradição de intervenções.
Desde a independência das suas colónias africanas, a França interveio sessenta
vezes. A estratégia da França é manter a sua influência política e económica
através de um apoio inquebrantável a várias ditaduras que promovem os
interesses franceses. Desta maneira, as multinacionais francesas têm autênticos
nichos de mercado na indústria alimentar, logística, transporte,
telecomunicações, além do saque dos recursos naturais, incluído o petróleo e o
urânio.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;strong&gt;2.2 Peões da França&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Quando
pode, a diplomacia francesa evita intervir diretamente. Também na crise do
Mali. Tem duas estruturas para isso. A primeira, a presidência da União
Africana, que é detida pelo presidente do Benin, Boni Yayi. Durante a sua
visita a França em 30 de maio, Hollande aconselhou-o que a UA fizesse uma
solicitação de ajuda ao Conselho de Segurança da ONU para pedir uma intervenção
militar em África: &quot;Analisando as diferentes maneiras de resolver a crise,
o presidente francês pediu à CEDEAO e à União Africana que utilizassem o Conselho
de Segurança da ONU, de maneira a poder &quot;desenhar um marco para o Mali e a
zona mais ampla do Sahel e restabelecer a estabilidade.&quot;2. Quando foi
informado em Montreal da intervenção militar francesa, afirmou que estava muito
contente (sic)3. O seu segundo ponto de apoio é a CEDEAO, que é a organização
que agrupa os Estados de África Ocidental, presidida por Alassane Ouattara, que
deve o seu posto como presidente de Costa do Marfim aos tanques franceses. A
desculpa então foi fazer respeitar os resultados das eleições presidenciais.
Umas eleições cuja legitimidade é cada vez mais discutível. Quanto ao mediador
da CEDEAO, não é outro senão o burquinês Blaise Compaoré, bem conhecido no
espaço da francofonia porque ajudou a derrubar Thomas Sankara e foi cúmplice de
Charles Taylor, condenado por crimes contra a humanidade devido aos crimes na
Libéria e Serra Leoa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;2.3 A
França opõe-se a um processo de transição política&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Quando
a hierarquia militar quis enviar os soldados malianos à frente,
assegurando-lhes que as armas e munições chegariam depois, estourou uma revolta
no quartel de Kati, situado a quinze quilómetros da capital, Bamako. Os
rebeldes dirigiram-se ao palácio presidencial, mal defendido por alguns membros
da guarda presidencial. ATT teve de fugir. Os rebeldes tomaram o poder,
anunciaram a criação de um conselho nacional. O golpe foi apoiado pelas
organizações da esquerda radical, ativista da sociedade civil, e parte dos
sindicatos que fundaram o Movimento Popular 22 de Março. Esta organização tem
como objetivo ser o braço político dos militares. A diplomacia francesa está na
mesma linha que as potências africanas da região. O grande temor é que o Mali
se emancipe da ordem neocolonial estabelecida e farão qualquer coisa para repor
à frente do país o vilipendiado ATT ou alguém de seu séquito. A CEDEAO decretou
um bloqueio económico cuja eficácia logo se fez sentir devido ao isolamento do
país. Sabotaram todos os esforços de reforma política que respondesse às
necessidades das populações e conseguiram colocar à frente do Mali o Presidente
da Assembleia Nacional, que não tem legitimidade popular nem constitucional.
Pior ainda, enquanto os jihadistas fortaleciam a sua posição, a CEDEAO bloqueou
nos portos de Dakar e Conacry os envios de armas que o Mali comprou
legalmente4. Só serão desbloqueados quando o governo do Mali firmar a
solicitação de assistência militar exterior.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;2.4 O
lóbi belicista&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
França fará um intenso esforço para que a comunidade internacional aceite o
princípio de intervenção militar. Foram os seus diplomatas que escreveram a
resolução da ONU e enfrentaram-se durante meses com o ceticismo da ONU, dos EUA
e da própria Argélia, que acabaram por aceitar de má vontade a proposta de
negociação com grupos como o MNLA e o Ansar Dine.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;3. A intervenção militar de França&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Analistas como Jacquemot, do semanário
L&#039;Express, têm explicado que esta intervenção foi preparada durante muito
tempo: &quot;O começo da intervenção francesa foi repentino, mas fora planeado
por muito tempo. Como prova disso, a contraofensiva, que chegou bem mais longe
das localidades ameaçadas, estava bem preparada&quot;5. Lhe Drian, ministro de
defesa, também falou em 2012 de uma intervenção inevitável6.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Uma vez
mais, a urgência alegada para justificar a intervenção militar procura evitar o
debate e permite avançar para objetivos que mudam com o tempo. De facto, a
intervenção justifica-se para deter o avanço dos jihadistas. Hoje em dia é
evidente que, uma vez atingido esse objetivo, aparece outro novo: fala-se agora
de &quot;erradicar os islamistas, de devolver a segurança ao estado
maliano&quot;, o que permite à diplomacia francesa total liberdade de ação.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Uma
intervenção que se realiza fora do marco jurídico internacional. Recordemos que
a resolução 2085 do Conselho das Nações Unidas só autoriza a intervenção de
forças militares africanas. A França tem obteve um ditame favorável a
posteriori do Conselho de Segurança da ONU, mas com fortes reservas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Para
não sair do marco legal, a França sustenta que atuou a pedido do presidente em
funções do Mali que, como vimos, carece de legitimidade constitucional e
popular.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;3.1 A
intervenção vai durar&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
intervenção terá uma longa duração devido à forte resistência dos jihadistas,
bem treinados e equipados. Além disso, a tática destes grupos é separar-se e
tentar capturar povoados ou pequenas aldeias. Os ataques aéreos serão pouco
efetivos. De facto, utilizam-se principalmente para atacar posições fixas
claramente estabelecidas, armazéns, campos de treino, etc. Em todos os casos
terão que se levar a cabo operações terrestres. Os militares franceses já
tiveram de lutar em Diabali. Teoricamente, estas operações devem ser
responsabilidade dos exércitos africanos, mas estes, como o do Níger ou do
Senegal, são muito pouco eficazes, e ainda que fossem relativamente eficientes,
não conhecem o terreno. De modo que em todos os casos o exército francês terá
que se mobilizar, e não se exclui que tenha de estar na primeira linha de fogo.
Adivinha-se já o início de uma intervenção a longo prazo, porque o objetivo é o
envio de 2.500 soldados franceses ao Mali.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Tenhamos em conta, já que é importante num
momento de austeridade fiscal, que a avaliação da intervenção atual é estimada
em 400.000 euros ao dia7. Não custa muito imaginar o que se poderia fazer com
tais somas para melhorar as estruturas sociais e de saúde na região do norte de
Mali.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
reforço do plano Vigipirate, o desejo de dramatizar todo o possível o risco do
terrorismo contribuem para criar um clima de unidade nacional, e ao mesmo tempo
fortalece o racismo em França. Uma vez mais se fortalece a tese de que o Islão
é um perigo potencial para a França.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;3.2 O
risco de crise humanitária&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Após
seis dias de conflito, a ONU registou mais de 150.000 refugiados que fogem das
zonas de guerra e se refugiam nos países limítrofes, onde a população também é
pobre, bem como 230.000 pessoas deslocadas no próprio Mali8. A falta de apoio
político, o vazio criado pela fuga dos jihadistas das cidades importantes da
região poderia dar lugar a conflitos entre comunidades a partir de velhos ressentimentos.
O elevadíssimo número de armas em circulação na região, as milícias
organizadas, como o Ganda Iso (“filho da terra”, em idioma Songhai), uma das
três que formam a Frente de Libertação do Norte de Mali, a recente decisão do
MNLA de se opor à entrada do exército do Mali no norte do país, faz temer uma
explosão de violência ou pelo menos uma série de conflitos violentos de grande
mortalidade provocados pela criação de milícias de autodefesa das diferentes
comunidades. Existe o risco mais que provável de cair numa situação idêntica à
do leste do Congo Kinshasa (RDC) onde, apesar da presença de forças da ONU, não
se pôde deter este impulso de violência. Sobretudo quando, como no caso da
República Democrática do Congo, além dos conflitos intercomunitários pesam
interesses económicos relacionados a diferentes tráficos ilegais, em especial
de narcóticos. O caso mais chamativo é a aterragem de um Boeing 727 cheio de
cocaína com destino à Europa com um valor de mercado de vários milhões de
euros. Já somos testemunhas de atrocidades cometidas pelo exército maliano,
como informa o Le Monde.9&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;3.3 A
necessidade do internacionalismo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A nossa
posição é contrária a uma espécie de quase unidade nacional imposta. Há os que
se viram arrastados por uma emoção perfeitamente legítima contra a barbárie
jihadista e o sofrimento das pessoas, mas agora as coisas são cada vez mais
evidentes, e dizem-nos que a guerra será longa, dura e cara.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
França, que é a fonte dos problemas, não pode ser a solução. A França, que
desde a independência dos estados da África tem apoiado sempre as piores
ditaduras, os piores massacres, as piores guerras, que está implicada no
genocídio do Ruanda, não é a melhor situada para defender os direitos dos povos
de África.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Não
temos outro remédio senão denunciar a francofonia, o apoio aos ditadores,
denunciar que Hollande receba os Bongo, Déby, Compaoré; que não tenha dito nem
uma única palavra de protesto contra a violência das forças repressivas em Togo
contra os manifestantes.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Devemos
reafirmar a nossa solidariedade com as forças progressistas da África e do Mali
que se opõem à intervenção francesa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo do sitio web portugués ‘&lt;a href=&quot;http://www.esquerda.net/dossier/raz%C3%B5es-da-interven%C3%A7%C3%A3o-imperialista-de-fran%C3%A7a/26463&quot;&gt;Esquerda&lt;/a&gt;’, do
27 de xaneiro de 2013]&lt;/p&gt;</description>
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 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/2010">guerra</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/1614">imperialismo</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/7765">Mali</category>
 <pubDate>Tue, 05 Feb 2013 09:48:25 +0100</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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