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 <title>euro</title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/3624</link>
 <description>The taxonomy view with a depth of 0.</description>
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 <title>Portugal: Limitações e Consequências para a Produção Nacional da Integração Europeia e do Euro</title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/2-5-2013/portugal-limitacoes-e-consequencias-para-a-producao-nacional-da-integracao-europeia</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A
natureza de classe da União Europeia é cada vez mais evidente. Sendo um
processo histórico de resposta do capitalismo europeu às crises cíclicas que
atravessa e um elemento da concertação/rivalidade do capital ao nível europeu,
estamos perante um instrumento de classe efectivo na ofensiva contra o
trabalho, que cria constrangimentos à luta dos trabalhadores e dos povos. Um
instrumento criado e desenvolvido pelo grande capital que, por isso mesmo, não
reformável.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
austeridade que hoje é um elemento central do discurso político não é uma
palavra nova nem para o capitalismo nem para Portugal.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O país
vive em austeridade desde a saída do período revolucionário e a austeridade
serve um propósito central, expropriar o trabalho, aumentar a taxa de
exploração com vista à sustentação das taxas de lucros e restaurar as condições
de rentabilidade do capital.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
austeridade é em si mesmo uma resposta do capitalismo a crise sistémica que
atravessa e não podemos compreender a crise nacional, sem compreender o papel
que a economia nacional desempenha no sistema capitalista mundial, nomeadamente
ao nível da participação de Portugal no processo de integração capitalista
europeia, que a União Europeia corporiza.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
modelo produtivo assente em baixos salários e na reexportação, inserido em
cadeias de subcontratação sobre o domínio do grande capital multinacional que
opera no mercado interno europeu, foi um modelo paulatinamente imposto e
reforçado com a nossa adesão, servindo os interesses do capital estrangeiro e
das camadas capitalistas nacionais de natureza rentista.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Um
modelo que acentuou todos os nossos défices e consequentemente a nossa
dependência externa, impondo condicionalismos ao modelo de desenvolvimento
económico e social endógeno saído da Revolução.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os
programas do FMI logo em 1977 e depois 1983, assim como as ajudas de
pré-adesão, contribuíram para preparar o país para a «gula» do capital europeu,
com a brutal redução dos custos unitários do trabalho real que então se
verificou, oferecendo assim uma reserva de mão-de-obra barata, em paralelo com
um mercado de 10 milhões de consumidores, para absorver os excedentes agrícolas
e industriais produzidos nos países do centro e norte da então Comunidade
Económica Europeia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Com a
ajuda dos fundos estruturais e agrícolas comunitários, o país foi moldando o
modelo económico/produtivo, ao serviço das necessidades do grande capital dos
países centrais do sistema. Apanhando logo com a adesão o choque concorrencial
da aceleraçãodo processo de liberalização dos mercados de bens, serviços e
capitais, com objetivo da constituição do mercado interno europeu, inscrito na
primeira grande reforma dos Tratados que foi o Acto Único Europeu, que abriu as
portas à União Europeia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Ao
mesmo tempo quer a nível nacional, se encetava o processo de privatizações, com
a revisão constitucional de 1989, abrindo portas ao desmantelamento do Sector
Empresarial do Estado, de sectores estratégicos para alavancar o nosso
desenvolvimento endógeno e a sua venda ao capital estrangeiro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Estavam
os passos dados para o desmantelamento progressivo do aparelho produtivo
nacional, a especialização em sectores de baixo valor acrescentado ligados a
uma progressiva terceirização da economia nacional.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Produzir
menos, para dever mais, num contexto em que o país se tornava paulatinamente um
«importador líquido» de países como a Alemanha e, por isso, um devedor líquido
face ao exterior, com o peso do serviço da dívida externa na forma de juros a
aumentar, assim como a venda de activos para o exterior, de que resultaram a
expatriação de dividendos e lucros. Uma expropriação progressivada riqueza
nacional transferida para o capital estrangeiro, sobretudo financeiro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
défice externo na balança corrente, crescente, rapidamente se transformava num
défice orçamental, com a progressiva transformação da dívida privada em dívida
pública.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os
constrangimentos da integração foram se tornando cada vez mas atentatórios da
independência nacional. A liberalização dos mercados foi logo seguida pela
perda da soberania orçamental, com o Pacto de Estabilidade, reforçada hoje com
o Tratado Orçamental, a perda de soberania monetária, com o Euro, reforçada
hoje com o «Pacto para o Euro Mais» e o Mecanismo de Estabilidade Europeu.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Em
paralelo com uma intervenção na política económica e social interna, por via da
Estratégia de Lisboa e dos programas nacionais de reforma, que impõem a cada
Estado-membro uma agenda de liberalização dos mercados públicos e financeiros,
a par da desregulamentação do mercado de trabalho, reforçada hoje com a Estratégia
2020, o Semestre Europeu e o Mecanismo de Desequilíbrios Externos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Tudo
parte da resposta do capitalismo a crise que atravessa, uma resposta que
incorpora desde o início dos anos 90 do século passado o denominado consenso de
Washington, com objectivo central de reduzir os custos unitários de trabalho,
transferir os ganhos de produtividade do trabalho para o capital, com vista a
restaurar as condições de rentabilidade do capital.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os
quatro principais princípios deste «consenso» concorrem para este objectivo e
estão inscritos nos Tratados da União Europeia: a saber: a estabilidade de
preços, ou seja, a moderação salarial; a consolidação orçamental; a
desregulamentação dos mercado de bens, serviços, capitais e trabalho e a
liberalização do comércio internacional.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
estabilidade de preços, objectivo único da política monetária do Banco Central
Europeu, visa no fundo garantir que os salários crescem abaixo da produtividade
do trabalho, ou seja, garantir a transferência dos ganhos de produtividade do
trabalho para o capital, contribuindo para o aumento da taxa de exploração sobre
o trabalho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
consolidação orçamental, transcrita no Pacto de Estabilidade e no novo Tratado
Orçamental, visa também contribuir para a redução dos custos unitários de
trabalho, incidindo sobre os trabalhadores do sector público e as consequências
que a redução das remunerações e direitos nestes têm sobre os trabalhadores do
sector privado, ao mesmo tempo que promove a privatização de bens e serviços
públicos e utiliza os impostos para refinanciar o capital, por via da despesa
fiscal (isenções e benefícios fiscais), da garantia de taxas de lucro (como é o
caso das parcerias público-privadas) e da injecção directa de capital (o caso
da banca).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
desregulamentação do mercado de trabalho, o redução dos custos de
refinanciamento do capital e a liberalização dos mercados de bens, serviços e
capitais, está transcrita na agenda patronal de Lisboa, com vista a promover a
moderação salarial, a precarização dos vínculos contratuais, o aumento do
horário e ritmo de trabalho e a facilitação e redução dos custos do despedimento,
ao mesmo tempo em que se aumenta a concorrência, com vista ao aproveitamento de
mercados existentes, sobretudo dos serviços financeiros e da abertura dos
regimes nacionais de pensões a lógicas de rentabilização privadas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Liberalização
que põe em concorrência as forças de trabalho ao nível nacional e
internacional, no contexto da liberalização do comércio internacional promovida
ao nível da Organização Mundial de Comércio e a proliferação de acordos de
comércio bilaterais entre zonas de integração regional.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Neste
quadro temos de sublinhar o papel estratégico do Euro e da União Económica e
Monetária, como instrumento de classe ao serviço do grande capital
multinacional que opera no mercado interno europeu.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Não só
por via da redução dos custos de internalização e internacionalização do
capital que promove, mas também pela pressão que exerce no sentido da redução
dos custos unitários de trabalho, uma vez que existindo uma política monetária
única e fortes constrangimentos sobre o uso da política orçamental e fiscal, as
únicas variáveis que subsistem de ajustamento face a choques económicos,
nomeadamente de natureza assimétrica, são os salários e o emprego, ou seja, a
desvalorização salarial e o desemprego.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Num
contexto em que o Estado continua a «libertar»importantes recursos públicos (ao
nível dos salários e das funções sociais, como a saúde, educação e segurança
social) para continuar a injectar milhões e milhões de euros no sistema
bancário e financeiro, por conta dos impostos pagos pelos trabalhadores por
conta de outrem.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Tudo
reforçado na periferia do sistema, com uma nova leva de programas de
ajustamento «estrutural», agora em formato Troika, do Fundo Monetário
Internacional, da União Europeia e do Banco Central Europeu, no qual se inclui
o pacto de agressão a que Portugal e os Portugueses se encontram actualmente
sujeitos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Vejamos
com números concretos, onde esta estratégia nos conduziu, tomando como base de
partida as últimas previsões económicas da Comissão Europeia para o ano de
2013, elas próprias já revistas em baixa pelos dados avançados pelos o Governo
após a sétima avaliação.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em 2013, o PIB (Produto Interno Bruto)
nacional estará ao nível de 2000. Desde que actual Governo entrou em funções,o
PIB terá uma contracção de 7,9 mil milhões de euros. Por sua vez, O PIB por
habitante estará ao nível de 1998, ou seja, menos 750 euros por habitante face
a 2011. Desde 2001, que economia está em divergência continuada com a União
Europeia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Em
ligação, o RNB (Rendimento Nacional Bruto), a riqueza produzida pelos
nacionais, estará ao nível de 1999, menos 8,1 mil milhões em relação a 2011 e
menos 6 mil milhões face ao valor do PIB, o que também mostra a nossa
dependência do exterior.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Em
2013, o investimento (Fabricação Bruta de Capital Fixo) estará ao nível de
1987, menos 6,1 milhões de euros desde que o Governo entrou em funções, menos
17,4 mil milhões face a introdução do Euro.O consumo privado estará ao nível de
1999, uma redução de 8,7 mil milhões de euros face a 2011.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
década do Euro foi também significativa para o aceleramento do nosso processo
de desindustrialização, ou seja, de perda de riqueza, de capacidade de gerar
bens para satisfazer as nossas necessidades e que possam ser transaccionáveis
com exterior. Desde a introdução do Euro, a produção industrial teve uma
redução acumulada de 16,3% e, em 2011, estava ao nível de 1994.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Em
2013, o nível de emprego estará ao nível de 1988, o que quer dizer que desde
2011 se destruíram 332 mil postos de trabalho, 592 mil desde a introdução do
Euro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O outro
lado da «moeda», para além do crescimento dos inactivos, do subemprego e da
economia paralela, é o aumento brutal do desemprego, cujo volume e taxa em 2013
estará ao nível mais elevado de sempre.Teremos mais 227 mil desempregados face
a 2011 e um número de desempregados 2,3 vezes ao que tínhamos quando da adesão.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
caminho de consolidação do mercado interno europeu e da convergência nominal de
Maastricht custou ao país mais 47 mil desempregados. O caminho pós-euro custou
ao país 692 mil desempregados. Considerando aqui apenas o desemprego oficial,
uma vez que o desemprego real pode ser quase o dobro destes valores.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Em
2013, a compensação salarial real por empregado (salários reais) estará ao
nível de 2008. Por sua vez, o peso dos salários no produto, ou seja a
quota-parte do produto que renumera o trabalho, estará ao nível de 1990 e é
inferior ao que se verificava a quando da adesão. Isto significa que o nível
dos custos unitários do trabalho reais se encontram também ao nível de 1990.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Desde
que o governo entrou em funções, o peso dos salários no produto evidenciou uma
descida 2,3 p.p., ou seja, indicativo de um dos maiores aumentos da taxa de
exploração do trabalho nos últimos anos, só comparável aquela que se verificou
em 2005-2007, durante o Governo PS/Sócrates.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Por
outro lado, o peso dos salários no produto teve uma descida de 3,8 p.p. desde a
introdução do Euro. Percebe-se assim a quem serviu a moeda única, quando desde
o Euro os lucros líquidos cresceram mais de 8 vezes mais que os salários em
Portugal(que tiveram um crescimento médio de 0,3%, quase nulo) e quase 4 vezes
mais na zona Euro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Quanto
à balança de bens, apesar da forte redução das importações por via do
empobrecimento acelerado dos portugueses pós-2011, o défice previsto em 2013 é 2,5
vezes superior ao que tínhamos em 1986, após se ter atingido um pico de 22,2
mil milhões de euros de défice em 2008, o qual desde o Euro se tinha vindo a
agravar sistematicamente. O mesmo se passa do lado da Balança corrente, cujo
défice é quase 6 vezes superior face ao que se verificava em 1986.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Este é o ciclo vicioso em que Portugal se
encontra, não só de desvalorização progressiva do valor de trabalho e de
desemprego crescente, mas também de um aumento progressivo da dependência
externa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Um país
que produz menos, aumenta a sua dependência e deve mais, também não consegue
consolidar as contas públicas. O défice e a dívida pública tornam-se alibis
para justificar a estratégia de intensificação da exploração do trabalho e de
entrega dos mercados públicos a lógicas de rentabilização privada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Em
2013, de acordo com as previsões a dívida pública terá atingido os 203,1 mil
milhões de euros, mais 18,4 mil milhões desde que o Governo entrou em funções e
será quase 13 vezes superior a dívida existente em 1986. O défice esse também
terá um aumento de 560 milhões de euros face a 2011 e será 2 vezes superior ao
de 1997, quando se iniciariam os Programas de Estabilidade e 4 vezes superior
aquele que existia quando da adesão.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Mas
mais relevante é que se excluirmos os juros pagos, que aumentaram 360 milhões
face a 2011, teríamos em 2013 as contas quase equilibradas, o que também
demonstra que uma das questões centrais hoje se prende com a renegociação da
dívida. em termos de montantes, juros e maturidades.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Também
é verdade que as receitas fiscais previstas para 2013 de impostos indirectos
terão uma quebra de 750 milhões, o que mostra as consequências da quebra de
consumo, em linha da quebra do poder de compra, nas receitas fiscais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Dizendo
de outro modo, existe uma correlação positiva entre crescimento económico e o
aumento das receitas fiscais, sem se terde aumentar as taxas de imposto e carga
fiscal sobre o trabalho. É importante sublinhar que em 2013 as receitas dos
impostos indirectos estarão ao nível de 2009 e face ao pico mais elevado
registado destas receitas em 2007, será inferior em 1,9 mil milhões de euros,
ou seja, apesar das taxas de IVA legal em vigor entãoserem todas mais baixas,
arrecadava-se mais receita.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Este
retrato mostra bem a insustentabilidade económica e social desta política, mas
também os interesses que serve, alicerçada pela ingerência da União Europeia.
Não estamos perante políticas erradas, estamos perante políticas deliberadas,
políticas de classe.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Esta linha de rumo está a ser aplicada em todos
os países da União Europeia, com os instrumentos já referenciados, onde o Euro
assume um papel de destaque. Estas são as amarras que condicionam o nosso
desenvolvimento económico e social. O nosso e dos restantes países da União
Europeia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
natureza de classe da União Europeia é hoje cada vez mais evidente. Sendo um
processo histórico de resposta do capitalismo europeu às crises cíclicas que
atravessa e um elemento da concertação/rivalidade do capital ao nível europeu,
estamos perante um instrumento de classe efectivo na ofensiva contra o
trabalho, que cria constrangimentos a luta dos trabalhadores e dos povos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Um
instrumento criado e desenvolvido pelo grande capital, seja pelas confederações
patronais desde a sua gênese (UNICE/Business Europe), seja pela mesa redonda
dos industriais (ERT). Um instrumento, por isso, não reformável.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;À
medida que a crise se acentua, o instrumento tenta aprofundar-se, com as
contradições inerentes ao próprio capital, elevando o patamar da ofensiva de
classe em curso, com vista a garantir as condições de intensificação de
exploração do trabalho e de rentabilidade perdidas, sempre ao serviço dos
interesses do grande capital das potências imperialistas centrais, como a
Alemanha.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
emancipação dos trabalhadores portugueses e dos outros trabalhadores dos países
que constituem a União Europeia, passa pela tomada de consciência que não
existem saídas no actual quadro que não passem por uma ruptura com as políticas
vigentes, pela necessidade de derrotar o instrumento de classe que é a União
Europeia, de fazer retornar aos Estados os instrumentos de política económica,
monetária, orçamental e cambial e pôr no domínio público os sectores
estratégicos que permitam alavancarem o desenvolvimento económico dos países,
ao serviço dos trabalhadores e dos povos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
ruptura com o processo de integração capitalista europeia tem que estar nas
prioridades da luta dos trabalhadores e dos povos, por uma Europa de paz,
progresso e cooperação. Temos que derrotar a União Europeia para construir o
futuro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;

[Artigo tirado do sitio web portugués ‘&lt;a href=&quot;http://www.odiario.info/?p=2850	&quot;&gt;ODiario.info&lt;/a&gt;’, do 1 de maio de
2013]&lt;/p&gt;</description>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/1465">capitalismo</category>
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 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/1481">Unión Europea</category>
 <pubDate>Thu, 02 May 2013 10:00:27 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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<item>
 <title>«O caminho do euro» – segundo o FMI</title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/29-4-2013/o-caminho-do-euro-segundo-o-fmi</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Muito
se falou em Portugal sobre a situação da Grécia, que se confronta hoje com um
desemprego de mais de 27%, com um desemprego jovem de quase 60%, e onde os
hotéis que foram à falência servem hoje de abrigo a cidadãos que antes dos
chamados «ajustamentos» tinham trabalho, casa, dignidade.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Porém,
pouco ou nada se disse sobre a Letónia, uma história que vale a pena conhecer,
porque, como diz o ditado, nos dos outros vemos as nossas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Quando
em 2007 começou a crise, a Letónia tinha um crescimento do PIB de quase 10%,
uma dívida soberana inferior a 8% e um desemprego de cerca de 5%.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
exposição dos bancos letões (o filme repete-se em todos os países) levou a
Letónia a pedir ajuda à UE e ao FMI, que impuseram as suas habituais «medidas
de austeridade».&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A drástica
austeridade imposta, muito ao género da portuguesa, levou na Letónia ao
encerramento de hospitais, à redução de salários e reformas entre 25% a 30%, a
uma tributação fiscal de 25% (taxa universal), à redução do estado social, etc.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Consequência:
o desemprego disparou de 5% para 20%, o PIB contraiu 20% (situação de que não
há memória em nenhum país), a dívida soberana passou de 8% para mais de 40%.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Na
população, 5% emigrou e mais de 40% caiu na mais absoluta pobreza sem qualquer
esperança de dela sair.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Conclusão
da sra Christine Lagarde, directora do FMI, que muito «dignamente» se passeia
com carteiras da Hermès (que chegam a atingir os 35 000 dólares americanos) e
com sapatos Louboutin (que custam mais de 1000 euros): «A Letónia ensinou à
Europa o caminho do euro».&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Que
«economia» é essa que mata, destrói e exclui quase metade dos cidadãos de um
país?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;É
preciso adoptar outros modelos de economia que sirvam as pessoas, e não
sacrificar as pessoas ao serviço de modelos económicos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
situação dos países intervencionados e os supostos motivos para os pactos de
agressão são muito diferentes de país para país, mas a troika tem aplicado em
todos a mesma «bíblia» – extorquir a quem trabalha.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Na
Irlanda, onde querem cortar três mil milhões de euros no «estado socia|» (menos
do que em Portugal, note-se, quer em termos absolutos quer relativos), os
sindicatos (TODOS) entraram em ruptura com o Governo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;É
exemplo a ter em conta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web portugués ‘&lt;a href=&quot;http://avante.pt/pt/2056/opiniao/124838/&quot;&gt;Avante&lt;/a&gt;’,
núm. 2.056, do 24 de abril de 2013]&lt;/p&gt;</description>
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 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/2252">Portugal</category>
 <pubDate>Mon, 29 Apr 2013 09:44:54 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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</item>
<item>
 <title>A crise: labrada na creación do euro</title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/26-11-2012/a-crise-labrada-na-creacion-do-euro</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Nas
orixes e marco institucional da unión monetaria europea atópanse os elementos
para interpretar a crise. O certo é que nunca antes na historia se tentou
establecer unha moeda común sobre bases tan erradas. O resultado foi unha bomba
de tempo. No capitalismo as crises son a norma e a detonación non se fixo
esperar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Hai que
sinalalo desde o principio: na creación do euro hai unha esgazadura, sen
paralelo na historia, entre o control da creación monetaria e o poder soberano
dos Estados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Para
variar, a teoría económica convencional contribuíu o seu para preparar o
terreo. O chamado paradigma da zona monetaria óptima (ZMO) é unha peza
fundamental en todo este sarillo. Este instrumento orixínase nos traballos de
Robert Mundell (outro premio Nobel de economía) e úsase para analizar as
vantaxes e desvantaxes de adoptar unha moeda común. As vantaxes exprésanse en
termos da redución nos custos de transacción, mentres que as desvantaxes están
nas dificultades para realizar axustes. Esta teoría descansa en bases trabucadas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
teoría da ZMO sostén que unha unión monetaria se xustifica cando as
desigualdades entre economías son o suficientemente débiles como para ser
manexadas por unha política monetaria común. De acordo con este razoamento,
propóñense catro principios para determinar se as asimetrías son manexábeis ou
non. Os primeiros dous requisitos son a mobilidade laboral e a ausencia de
restricións á circulación de capitais. Outro elemento é que a evolución das
economías que consideren ingresar á unión monetaria debe ser comparábel: en
especial, os ciclos económicos deben ser similares. Pola contra, o novo banco
central non podería aplicar unha política macroeconómica coherente (tería que
promover o crecemento nunha rexión ao tempo de moderalo noutra cos mesmos
instrumentos). A primeiros dos anos noventa considerouse que un grupo de países
da Unión Europea cumpría con eses tres principios.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Outro
criterio utilizado para considerar a creación dunha unión monetaria é o das
transferencias fiscais. A política fiscal desempeña un papel fundamental na
redución das asimetrías nunha rexión, e por iso a propia teoría da zona
monetaria óptima aconsella a existencia dun espazo fiscal común, en paralelo ao
espazo da unión monetaria. Pero no caso da unión monetaria europea este vínculo
entre o poder soberano, a creación monetaria e a política fiscal rachou.
Mentres a política monetaria se transfería a un órgano supranacional que non
rende contas a ninguén, a política fiscal quedou relegada ao nivel nacional.
Para rematar, separáronse as funcións de tesouraría que os bancos centrais
podían desempeñar e restrinxiuse a posibilidade de recorrer a déficits fiscais.
De súpeto, os estados membros perderon a capacidade de recorrer á autoridade
monetaria para financiar a súa débeda e quedaron sometidos á disciplina dos
axentes financeiros privados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Agora
ben, a propaganda política do neoliberalismo considera que isto é algo
positivo. O seu argumento está baseado nunha teoría económica que sostén que o
mercado é un mecanismo auto-regulado e que o diñeiro é un invento dos axentes
económicos (léase, o sector privado) para reducir os custos de transacción
asociados ao troco. O corolario de todo isto é que é necesario evitar que a
política contamine as decisións puramente técnicas que deben rexer a política
monetaria.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Pero
nin os mercados se auto-regulan, nin o diñeiro foi un invento dos axentes do
sector privado, nin é certo que a estabilidade macroeconómica se manteña a
través da separación entre fiscalidade e soberanía monetaria. O esgazamento
entre política monetaria e política fiscal xustificouse (en contra do que
afirmaba a propia teoría da ZMO) porque na ideoloxía neoliberal a fiscalidade
non desempeña unha función importante debido a que os seus efectos se cancelan
polas expectativas dos axentes. Neste tema o contraste entre Mundell e Lucas
non pode ser máis evidente. A verdade é que sempre se soubo que a teoría das
expectativas racionais é un procreo absurdo e que como guía da política
macroeconómica responde a un enfoque estritamente ideolóxico. Na creación do
euro esta pseudo-teoría serviu para xustificar un marco institucional
aberrante.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;As
orixes do diñeiro non están relacionados cunha pretendida innovación técnica do
sector privado para minimizar os custos de transacción. A antropoloxía, a
historia e a numismática ensinan que o diñeiro xorde relacionado con sistemas
de débeda e, sobre todo, co poder soberano para fixar impostos que só podían
ser pagados na moeda de curso legal. Isto é o que explica a estreita relación
entre poder soberano e regulación monetaria. Os arquitectos da unión monetaria
europea racharon con este vínculo e sentaron as bases da crise actual.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do xornal mexicano ‘&lt;a href=&quot;http://www.jornada.unam.mx/2012/11/21/opinion/030a1eco&quot;&gt;La
Jornada&lt;/a&gt;’, do 22 de novembro de 2012]&lt;/p&gt;</description>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/1461">crise</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/3624">euro</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/1482">Europa</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/1486">neoliberalismo</category>
 <pubDate>Mon, 26 Nov 2012 10:24:00 +0100</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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</item>
<item>
 <title>Estado español: Saír do euro</title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/1-10-2012/estado-espanol-sair-do-euro</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O
Estado español non ten as ferramentas e instrumentos para saír da crise. Non
pode nin depreciar a moeda, para a facer máis competitivo, nin o Estado pode
protexerse da especulación financeira, ao non ter un Banco Central que o
protexa. Iso é intolerábel. A non ser que estas ferramentas se recuperen, o
Estado español, no marco actual da Eurozona, non se pode recuperar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Ante a
enorme crise financeira e económica existente no Estado español, hai tres
alternativas. Unha é continuar as políticas de austeridade do goberno do
Partido Popular, seguindo as instrucións do Consello Europeo (dominado por
conservadores e neoliberais), da Comisión Europea (de clara orientación
conservadora neoliberal) e do Banco Central Europeo (baixo a enorme influencia
do Bundesbank, o banco central alemán, que foi definido ironicamente e con
bastante certeza, como o Vaticano do neoliberalismo), máximo expoñente da banca
alemá. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Estas
políticas conducen inevitabelmente a unha situación de recesión, abeirando a
depresión, por moitos anos. O seu eixo central é un ataque frontal ao mundo do
traballo, ao Estado do Benestar e á democracia. A evidencia diso é fonda e
abafadora. A súa máxima expresión é o que está ocorrendo a Grecia. Detrás desta
estratexia está o capital financeiro (que hoxe domina o comportamento, non só
financeiro, senón tamén económico, da Eurozona), así como o capital das grandes
empresas. Esta opción é, sen dúbida, a peor. Esperar que as políticas do que se
chama “austeridade expansiva” sexan eficaces para estimular a economía e saír
da recesión pertence ao terreo do dogma neoliberal, aceptado por moito tempo
polas esquerdas gobernantes que están levando o Estado español, a Europa e ao
mundo á desfeita.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Outra
alternativa é seguir unhas políticas case opostas ás políticas de austeridade.
Esta alternativa estaría inspirada nas políticas expansivas do New Deal a primeiros
do século XX en EEUU e nas tamén políticas expansivas dos anos cincuenta e
sesenta que seguiron a maioría de países en Europa, estimuladas polo Plan
Marshall. Tales políticas expansivas, levadas a cabo a ambos os dous lados do
Atlántico, permitiron que EEUU e a Europa Occidental saísen da Gran Depresión.
A aplicación de tales políticas no Estado español e na UE implicaría un gran
aumento do gasto público que tería como obxectivo crear emprego e, a través
del, aumentar a demanda doméstica e estimular a economía. Tales políticas
terían como centro da súa estratexia, o estímulo do crecemento, tanto a nivel do
Estado español, como a nivel da UE. En contra do que sostén a sabedoría
convencional, esta estratexia sería posíbel desenvolvela mesmo no Estado
español, aínda cando o seu desenvolvemento sería máis sinxelo se tales
políticas fosen tamén realizadas a nivel da Eurozona e da UE.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Diráseme
que o goberno francés iniciou xa este camiño. Pero, como escribín recentemente,
tal goberno asinou o Pacto Fiscal que obriga os Estados a teren orzamentos
equilibrados, sen cuestionar tampouco o Pacto de Estabilidade, que é o que está
determinando os enormes recortes de gasto público que se están realizando nos
países da Eurozona. Non se poden desenvolver políticas de crecemento sen
cuestionar tales pactos. O feito de que o goberno socialista francés acabe de
propor ao Parlamento francés que se aprobe tal Pacto Fiscal, é un indicador da
pouca probabilidade que tal alternativa expansionista teña lugar naquel país.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Non desboto
que as crecentes mobilizacións populares, lideradas polos sindicatos, e o
crecemento dos partidos de esquerda, á esquerda dos partidos socialdemócratas
gobernantes, vaian movendo a tales partidos cara a posturas máis coherentes co
seu discurso pro-crecemento. Pero esta posibilidade permanece no aire. Non a desboto
(e sería a miña preferencia persoal), pero son escéptico. Os partidos
socialdemócratas non fixeron a autocrítica que deberían realizar que levase un
cambio moi substancial das súas políticas económicas. A socialdemocracia
española e catalá son un claro exemplo diso. As políticas económicas que están
propondo asumen que a economía se recuperará a base do aumento das
exportacións, sen comprender que o elemento chave de tal recuperación pasa por
un aumento da demanda doméstica.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Isto
lévanos á terceira alternativa, que non é a miña primeira opción, pero cada vez
creo máis que é a única opción que nos queda, posto que, como dixen antes, a
peor opción é continuar a situación actual. E esta terceira opción é a saída do
Estado español do euro. Chegar a esta conclusión deriva do meu entendemento de
que o Estado español non ten as ferramentas e instrumentos para saír da crise.
Non pode nin depreciar a moeda, para a facer máis competitivo, nin o Estado
pode protexerse da especulación financeira, ao non ter un Banco Central que o
protexa. Iso é intolerábel. A non ser que estas ferramentas se recuperen, o
Estado español, no marco actual da Eurozona, non se pode recuperar. En
realidade, non é por casualidade que Gran Bretaña e Suecia estean iniciando
políticas expansivas, pois ambos os países teñen moeda propia e o seu propio
Banco Central.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os
argumentos que se aduciron en contra de tal saída do euro na maioría dos
medios, son tan nesgados que carecen de credibilidade. Vexamos. Un deles é que o
Estado español, a partir da saída do euro, tería pechada a posibilidade de
pedir diñeiro prestado nos mercados financeiros. Este mesmo argumento utilizouse,
por certo, con moitos países, incluída Arxentina (cando esta se separou do
dólar), sen que a realidade corroborase este feito. Hoxe o sistema financeiro é
multipolar, e non existe hoxe no mundo escaseza, nin de liquidez nin de
crédito. Máis ben ao contrario. Hoxe o mundo está inzado de diñeiro. Existe
unha excesiva acumulación de capital financeiro. O problema é falta de demanda
por parte da maioría das poboacións. Tal escaseza no Estado español está
artificialmente creada (e deseñada desde o principio polos creadores do euro e
do BCE). Hoxe o Estado español podería conseguir crédito a xuros moito máis
baixos se non estivese no euro. Suecia e Gran Bretaña, ambas na UE, pero non na
Eurozona, non teñen dificultades en obter crédito.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Outro
argumento que se utilizou baséase na ignorancia respecto dalgúns feitos.
Repetiuse en moitas ocasións que Arxentina se puido recuperar moi axiña (só
seis meses necesitou para crecer de novo despois de saír do dólar) como
consecuencia da gran demanda dos seus produtos naturais nunha economía mundial
moi expansiva. Tal argumento descoñece que a recuperación arxentina non se
baseou no crecemento das exportacións, senón no crecemento da demanda
doméstica.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Un
argumento que ten maior validez, porén, é o risco do crecemento da inflación,
resultado de que o seu banco central imprimise moita moeda para apoiar as
políticas expansivas. Este risco é real. Agora ben, entre dous males menores, é
preferíbel unha elevada inflación con baixo desemprego e elevado crecemento,
que a situación actual, con baixo crecemento, con enorme desemprego, e en
recesión.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Admito
que a saída do euro non sería un proceso doado. Pero este argumento -a
dificultade de saír do euro- ten que se avaliar á luz dos custos humanos,
sociais e económicos de manternos no euro. As propostas de saír da crise,
dentro do euro, a base de potenciar as exportacións (tal como están propondo,
non só os equipos económicos do Partido Popular, senón tamén do PSOE e do PSC),
ignoran (repito o que dixen antes) que o meirande problema da economía española
é a enorme paralización da demanda doméstica. Tal como subliñei, o sector
exportador foi crecendo no Estado español, mentres que a economía foi colapsando,
ano tras ano. A solución pasa por un aumento da demanda que non pode resolverse
a non ser que rompa coas políticas impostas polas autoridades na Eurozona e o
FMI. É interesante notar que os dous Estados citados anteriormente, o británico
e o sueco (ambos os gobernados por partidos conservadores) concluíron que sen
políticas expansivas, de estímulo económico, non se recuperarán do seu bajón
económico. Pero como dixen antes, ambos poden facelo porque teñen o seu propio
Banco Central e a súa propia moeda. Por iso é polo que, mesmo cando a débeda
británica é maior que a española (que é relativamente baixa), os xuros da súa
débeda pública son moito máis baixos, e ningún dos dous, Gran Bretaña e Suecia,
teñen unha elevada inflación. Do feito de que houbese un risco de elevada
inflación non ten por que se concluír que a saída do euro no Estado español
conduciría a unha inflación elevada que afectase a eficiencia da economía
española.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Unha
última observación. É dunha enorme torpeza que ningún dos dous partidos
maioritarios, con capacidade de gobernar o Estado español ameace con saír do
euro. O que menos desexan Alemaña e a súa banca é que o Estado español saia do
euro. O Estado español debería utilizar tal ameaza como baza negociadora nas
súas discusións coa troika. O feito de que non o faga amosa o seu grao de
dependencia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do &lt;a href=&quot;http://www.vnavarro.org/?p=7885&quot;&gt;blog do autor&lt;/a&gt;, do 27 de
setembro de 2012]&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Mon, 01 Oct 2012 10:11:15 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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</item>
<item>
 <title>O verão quente da zona do euro</title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/27-7-2012/o-verao-quente-da-zona-do-euro</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A crise
da eurozona aprofundou-se de tal maneira que poucos lembram que a Grécia
parecia ser o ponto de inflexão do euro nas eleições de junho. Um “default”
grego pode ser a gota d’água para fazer transbordar o copo da Espanha. Uma
moratória da Espanha, por sua vez, teria um forte impacto sobre a Itália, mas
se estenderia também para os bancos dos Estados Unidos, Alemanha e França que
têm títulos espanhóis no valor de mais de 720 bilhões de euros. O efeito dominó
pode ser fulminante.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A zona
do euro enfrenta um verão de sobressaltos e ataques especulativos. A Espanha
está com a corda no pescoço, a Itália vive a angústia de ser o próximo da lista
e nem sequer países supostamente sólidos como Alemanha, Holanda ou Luxemburgo
parecem seguros ao abrigo da tormenta. Na segunda-feira, a agência
estadunidense Moody colocou em perspectiva negativa a nota máxima (AAA) que
outorga às dívidas soberanas destes países, que, em tese, são a fortaleza do
euro. Na quarta, a agência desferiu um segundo golpe à economia alemã,
rebaixando a nota da dívida de 17 bancos alemães.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Segundo
indicou à Carta Maior Philip Whyte, analista do Centre for European Reform
(CER), a mensagem é muito clara: a crise do euro já não se limita à periferia.
“Não resta dúvida sobre isso. A crise chegou ao coração da eurozona”, disse
Whyte. Não foi a toa que o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi,
declarou nesta quinta, em Londres, que está disposto a fazer tudo o que for
necessário para preservar o euro. “E, acreditem, isso será suficiente”,
ufanou-se em um encontro de investidores.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A
Espanha no caminho do cadafalso&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O corte
fiscal de 65 bilhões de euros anunciado pelo governo de Mariano Rajoy na semana
passada e o resgate dos bancos espanhóis com 100 bilhões de euros acertado
pelos ministros de finanças da eurozona no dia 20 de julho não foram
suficientes para alterar o veredito dos mercados: o país é um investimento de
alto risco. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A taxa
de risco – diferencial em relação à taxa de juro dos títulos alemães de dez
anos – saltou para 7,5% na segunda-feira, a mais alta desde 1996. As
declarações de Mario Draghi em Londres deram um respiro a Espanha: a taxa caiu
para 7%. Os economistas consideram que quando essa taxa supera a casa dos 7%, o
peso da dívida se torna insustentável. Isso ocorreu com a Grécia, a Irlanda e
Portugal: a Espanha não é uma exceção. O problema é que se trata da quarta
economia da eurozona, com um tamanho duas vezes superior ao desses três países
juntos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
Espanha era o limite que a eurozona não ia cruzar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O
círculo vicioso&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
governo do Partido Popular não cessa de dar sinais aos mercados. A dinâmica é
tão similar à que precedeu os regates da Grécia, Irlanda e Portugal que poderia
requerer os serviços de um linguista para comprovar que se trata do mesmo
roteiro em distintos cenários. Alguém poderia imaginar esse quadro também como
uma peça teatral de três atos e um desenlace:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;• A especulação dos mercados financeiros
encarece o custo da dívida (título catastrófico do primeiro ato).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;• O governo anuncia cortes emergenciais para
acalmar os mercados (segundo ato).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;• O mercado suspira aliviado. Os sorrisos
duram alguns dias ou, cada vez mais, apenas algumas horas (intervalo).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;• A Alemanha ou o FMI ou o Banco Central
Europeu elogiam as corajosas medidas adotadas, mas alertam que é necessário
mais um esforço (terceiro ato).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;• Renova-se a pressão dos mercados financeiros
(desenlace).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Esta
dinâmica está fazendo água. As regiões autonômicas estão mostrando os buracos
de uma estrutura cada vez mais frágil. Na sexta-feira passada, Valencia
solicitou um resgate ao governo central. Esta semana, Catalunha e Murcia
fizeram o mesmo. Segundo a imprensa espanhola, a maioria das comunidades
autônomas tem sérios problemas de financiamento. Segundo a BBC Espanha, são
necessários uns 48 bilhões de dólares para suportar a tormenta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A hora
do resgate estatal parece aproximar-se de forma inexorável com uma grave
complicação: um dos cálculos estimados é que a Espanha pode precisar de quase
500 bilhões de euros, quer dizer, praticamente o montante total do Mecanismo de
Estabilidade Europeia, fundo utilizado para os resgates.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Itália:
“a spending review” e o “spread”&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A crise
espanhola repercute diretamente na Itália que anunciou em meados de julho a formação
de uma equipe de vigilância por temor de um ataque especulativo em agosto. O
primeiro ministro Mario Monti ordenou ao governo em seu conjunto que aproveitem
o verão no país com o celular preso ao ouvido para reintegrar-se de imediato a
seus postos em caso de emergência.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
vocabulário financeiro em inglês está penetrando a linguagem da imprensa
italiana e até as conversas de café que falam com naturalidade do “default”, da
“spending review” (revisão dos gastos fiscais ministério por ministério) e do “spread”
(diferencial da taxa de juro em relação a Alemanha). Segundo a página do
Tesouro italiano na internet, as necessidades de financiamento da Itália até o
fim do ano chegam a 170 bilhões de euros. Em agosto, os vencimentos da dívida
superam a casa dos 30 bilhões.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
problema da Itália é diferente do da Espanha. A Itália tem um alto
endividamento (quase 120% do PIB, só superado pelo da Grécia no continente),
mas virtualmente um superávit fiscal primário (antes de pagar os serviços da
dívida). Um aumento deste juro adicional, o “spread”, para refinanciar sua
dívida tem um impacto demolidor sobre a economia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Este
ano as estimativas são de que a economia italiana cairá entre 1,2% (previsão do
governo) e 2,4% (estimativa da Confederação Industrial Italiana) e que só
voltará a crescer e 2014 desde que o “spread” não dispare. Se disparar, a
Itália não vai sair do atual circulo vicioso: uma dívida em contínuo aumento
sob o peso das taxas de juro que devoram qualquer possibilidade de crescimento
econômico.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O tema
é de tal gravidade que, em uma recente análise, o jornal La Reppublica
contemplava uma solução drástica: obrigar os próprios italianos, que tenham uma
alta taxa de poupança individual, a comprar a dívida. Como um espelho do que
está ocorrendo com as autonomias espanholas, a nave italiana começa a fazer
água em nível regional: a Sicília se declarou em virtual moratória na semana
passada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A
Grécia e o efeito tsunami&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A crise
da eurozona aprofundou-se de tal maneira que poucos lembram que a Grécia
parecia ser o ponto de inflexão do euro nas eleições de junho. Os inspetores da
troika (Fundo Monetário Internacional, União Europeia e Banco Central Europeu)
encontram-se na Grécia para revisar a marcha do segundo resgate acordado este
ano em meio a versões que indicam que a Grécia precisaria entre 20 e 50 bilhões
de euros a mais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
coalizão conservadora encabeçada pelo primeiro ministro Antonis Samaras acordou
um plano para um corte adicional de 12 bilhões de euros nos próximos dois anos.
Este plano deverá ser aprovado pela troika. A Alemanha já deixou claro que não
haveria mais dinheiro se a Grécia não avançasse de maneira “crível” em seus
objetivos de redução do déficit. Os alemães se queixam de que a Grécia nunca
cumpre com suas promessas de cortes, mas o impacto de abandonar o governo grego
é tão previsível quanto um tiro no escuro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
problema não é tanto a possibilidade de uma moratória grega, mas sim o efeito
que pode ter sobre a Espanha, a Itália e o resto da zona do euro. Nenhum país é
uma ilha. O efeito dominó pode ser fulminante. No início de 1989, ninguém
imaginava que a União Soviética e o mundo comunista estavam a ponto de
desaparecer. Em questão de meses, a revolução se estendeu da Polônia a Romênia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Um
“default” grego pode ser a gota d’água para fazer transbordar o copo da
Espanha. Uma moratória da Espanha, por sua vez, teria um forte impacto sobre a
Itália, mas se estenderia também para os bancos dos Estados Unidos, Alemanha e
França que têm títulos espanhóis no valor de mais de 720 bilhões de euros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
edifício aparentemente sólido do euro, está revelando cimentos tão frágeis que
muitos preveem um estouro que pode se converter em uma tsunami da economia
mundial. Uma coisa parece clara. Neste verão, a eurozona não terá férias.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web brasileiro
‘&lt;a href=&quot;http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20616&quot;&gt;Agência Carta Maior&lt;/a&gt;’, do 26 de xullo de 2012]&lt;/p&gt;</description>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/1461">crise</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/3624">euro</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/1482">Europa</category>
 <category domain="http://www.galizacig.com/avantar/taxonomy/term/1486">neoliberalismo</category>
 <pubDate>Fri, 27 Jul 2012 10:26:20 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
 <guid isPermaLink="false">32410 at http://www.galizacig.com/avantar</guid>
</item>
<item>
 <title>&quot;Catástrofe liberal&quot;: crise arrasta Europa para a incerteza</title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/15-5-2012/quotcatastrofe-liberalquot-crise-arrasta-europa-para-a-incerteza</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O tabu
sobre a unidade em torno do euro foi reduzido a pedaços. A União Europeia considera
cada vez mais a possibilidade de que a Grécia abandone a moeda única. O
semanário britânico The Observer chegou até a publicar uma nota sobre “como a
Grécia poderia deixar o Euro em cinco etapas difíceis”.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
história cruza suas espadas e faz papel picado da construção europeia tal como
ela foi plasmada no modelo ultraliberal. No momento em que o socialista
François Hollande se prepara para assumir a presidência da República da França,
a Europa está espremida em uma grave crise enquanto os mercados seguem movendo
os fios para não perder um centavo de seus já abismais lucros: a Grécia
continua sem formar um governo que aceite submeter o povo à sangria da
austeridade imposta pelos mesmos que foram cúmplices da derrocada. As bolsas
europeias - Paris, Londres, Milão, Frankfurt, Atenas – voltaram a fechar com
índices negativos, enquanto a Espanha, arrastada pelo redemoinho da especulação
e dos cortes, acusa a Grécia de ser a responsável pela situação.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;“A
instabilidade política grega é o principal elemento de incerteza e é aí que
devemos agir. Temos que tomar decisões”, disse em Bruxelas o ministro espanhol
da Economia, Luis de Guindos. A União Europeia se divide em torno do irmão
menor. Responsáveis da Comissão Europeia, ministros, analistas e meios de
comunicação já contempla, sem se escandalizar, o futuro da Europa com a Grécia
fora do euro. Os responsáveis europeus colocaram Atenas ante uma disjuntiva com
final similar: morrer dentro do euro, ou morrer fora dele. O presidente da
Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse que “se os acordos não são
respeitados por um país, isso significa que não há condições para continuar com
esse país”.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Na verdade,
são os mercados que antecipam a hecatombe. Assustados pela eventualidade de um
atraso ou de uma suspensão das ajudas financeiras prometidas a Atenas para que
faça frente a seus vencimentos, os investidores se refugiam ali onde seus
capitais estão a salvo, neste caso nos títulos alemães. A taxa de risco
espanhola alcançou um máximo histórico ao mesmo tempo em que os títulos
alemães, os Band, percorreram o caminho contrário: chegaram a seu piso mais
baixo da história graças à corrida dos investidores para esse produto seguro. A
crise grega se juntou com os desarranjos da banca espanhola oriundos de anos
anteriores. O incêndio está chegando aos cofres dos bancos e se expande com as
faíscas do passado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
reforma bancária proposta pelo governo conservador de Mariano Rajoy obriga os
bancos a aportar provisões de 30 bilhões de euros para sustentar as contas
castigadas por empréstimos imobiliários de alto risco. Cinco dos principais
bancos do país – Bankia, CaixaBank, Popular, Santander e BBVA – necessitam de
16 bilhões de euros para sanear-se. Os bancos espanhóis arrastam uma sombra de
238 bilhões de dólares de ativos imobiliários cujo valor é aleatório.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Como se
isso não bastasse, o socialista François Hollande assume nesta terça-feira a
presidência em pleno confronto com a Alemanha a propósito do manto de
austeridade com o qual Berlim cobriu a Europa. O presidente francês se empenhou
em renegociar o pacto fiscal adotado em março passado por 25 dos 27 países da
União Europeia com a meta de superar a crise. Mas esse pacto implica severas
políticas de austeridade e Hollande disse que a austeridade sem crescimento não
faz sentido. O chefe de Estado francês quer renegociar o tratando incluindo
medidas a favor do crescimento, algo que a Alemanha rejeita. No entanto, os
analistas consideram que a força da crise grega obrigará Paris e Berlim a um
consenso no momento em que a ideia da saída da Grécia do euro deixou de ser uma
metáfora.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O tabu
sobre a unidade em torno do euro foi reduzido a pedaços. A União Europeia considera
cada vez mais a possibilidade de que a Grécia abandone a moeda única. O
semanário britânico The Observer chegou até a publicar uma nota sobre “como a
Grécia poderia deixar o Euro em cinco etapas difíceis”. Em Atenas, o chefe do
partido de extrema-esquerda Syriza, negou-se a formar um governo com mandato
para aplicar um programa que ele mesmo qualificou de “criminoso”. Sem governo
na Grécia, a única alternativa seria realizar novas eleições daqui a um mês.
Marcus Huber, membro da empresa de consultoria financeira ETX Capital, disse à
imprensa que “essas eleições não só conduziriam a um novo rechaço das medidas
de austeridade, como representariam um verdadeiro referendo sobre a permanência
ou não do país na zona do euro”.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Antes
impensável, essa eventualidade torna-se tangível e as capitais europeias já
começaram a fazer contas. Na França, o governador do Banco da França, Christian
Noyer, declarou que nenhum grupo financeiro, banco ou companhia de seguro
atravessaria sérias dificuldades em caso de “um cenário extremo na Grécia”. O
passivo da Grécia com os bancos franceses chega a 13 bilhões de euros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Atenas
deve cumprir com o plano de ajuste ou partir. O cenário de um euro sem a Grécia
é menos otimista que as declarações oficiais. Se isso ocorrer, muitas empresas
entrariam em situação de moratória. Segundo a agência de avaliação financeira
Fitch, as repercussões da Grécia fora do Euro se fariam sentir nas notas de
países como Itália e Espanha. De fato, a crise polifônica que atinge a Europa é
consequência do dogma liberal: desmontar os Estados, impor a bota da
austeridade e do rigor. Em termos de funcionamento, o dogma também criou
desarranjos difíceis de corrigir: o Banco Central Europeu (BCE) não empresta
dinheiro aos Estados, só aos bancos privados. Só o BCE tem o poder de
desvalorizar o euro e unicamente o BCE e os bancos privados podem emitir moeda,
não os Estados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Por
esta razão, a Grécia não pode nem desvalorizar nem criar moeda, nem obter
dinheiro do Banco Central a uma taxa razoável. A universitária Sophia Mappa,
pesquisadora no Laboratório de Investigações sobre a Governabilidade (Largotec)
assinala que “a crise grega é o espelho dos limites do modelo liberal, não só
econômico, mas também social”. O cientista político, economista e ex-deputado ecologista
Alain Lipietz resume o momento pelo qual atravessa a Europa com duas palavras:
“a catástrofe liberal”. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Nada
retrata melhor sua análise do que as cifras do banco BBVA. No informe anual
apresentado em abril passado pelo BBVA, ante a Comissão do Mercado de Valores
dos Estados Unidos, o banco registrou: “A crise da dívida soberana na Europa se
intensificou em agosto de 2011 e se contagiou com pressões de financiamento no
setor financeiro. As tensões financeiras na Europa seguem em níveis superiores
àquelas verificadas após a queda do Lehman Brothers em 2008”. Quatro anos
depois da grande quebra do Lehman, a crise não fez outra coisa do que desenhar
um redemoinho que arrasta povos inteiros ao desemprego, à pobreza e à
incerteza.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web brasileiro ‘&lt;a href=&quot;http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20145&quot;&gt;Agência
Carta Maior&lt;/a&gt;’, do 14 de maio de 2012]&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Tue, 15 May 2012 10:38:39 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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<item>
 <title>Lições do Sul para uma Europa em crise?</title>
 <link>http://www.galizacig.com/avantar/opinion/5-3-2012/licoes-do-sul-para-uma-europa-em-crise</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Numerosas
experiências recentes a Sul mostraram que a reconquista de elementos de
soberania nacional – monetária, entre outras – e o voluntarismo político
perante os diktat dos mercados financeiros abriram margens de manobra que
permitiram a esses países sair de situações económicas dramáticas provocadas em
larga medida pelo próprio funcionamento – injusto e inaceitável – do sistema
capitalista mundial.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
extrema gravidade da crise que atinge actualmente a Europa, em particular a
zona euro por via das dívidas ditas &quot;soberanas&quot;, da Grécia à Itália
entre outras, leva a colocar a questão: os povos europeus não terão lições a
retirar das experiências pelas quais certos países do Sul estão a passar e das
estratégias anti-crise que aí foram adoptadas? Porque o que é facto é que, até
ao momento, têm sido as receitas do Norte, que se supõe serem universalmente
válidas, as que foram na generalidade administradas às economias do Sul – ainda
que estas receitas não lhes tenham sido muito convenientes, salvo raras
excepções. Mas os tempos mudaram… &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A
Europa em crise &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;As
soluções neoliberais de austeridade generalizada e de destruição dos serviços
públicos hoje propostas (ou melhor dizendo, impostas) para tentar salvar o
capitalismo em crise e relançar o crescimento são absurdas; elas constituem a
forma mais segura de agravar ainda mais esta crise e de precipitar mais
rapidamente o sistema no abismo. E isto ao mesmo tempo que favorecem, por todo
o lado, a subida em força das extremas-direitas, racistas, demagógicas e sempre
cúmplices da ordem estabelecida. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Neste
contexto, a crise que a zona euro atravessa actualmente deve ser entendida como
em íntima ligação com as próprias bases do processo da construção europeia.
Acreditou-se ser possível criar uma moeda única sem Estado, mesmo o de uma
Europa política que na verdade não existe. Havia aqui um erro de base nesta
Europa que pretendia fazer convergir à força economias extremamente diferentes
sem o reforço de instituições políticas à escala regional nem a promoção de uma
harmonização social nivelando por cima. É assim que, de forma lógica, esta
&quot;má Europa&quot;, voltada contra os povos, anti-social e anti-democrática,
é cada vez mais abertamente rejeitada. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Continuar
a acreditar num novo &quot;compromisso keynesiano&quot; constituiria,
entretanto, alimentar ilusões. O anterior, formulado após a Segunda Guerra
mundial, não foi concedido pelos grandes capitalistas, foi alcançado pelas lutas
populares, múltiplas e convergentes. Hoje a alta finança, que retomou o poder,
não está disposta a nenhuma concessão. O keynesianismo – que poderia de facto
desejar-se – não possui nem realidade nem futuro. Doravante, são os oligopólios
financeiros quem domina e quem dita a sua lei aos Estados, para fixar as taxas
de juro, a criação de moeda ou, quando tal é necessário, para nacionalizar. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ruptura?
&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Perante
a crise sistémica e os perigos que ela comporta – incluindo o de ver chegar ao
poder extremistas de direita – é tempo de as forças progressistas na Europa
retomarem a ofensiva, formulando de novo propostas alternativas para uma
esquerda radical e internacionalista, orientadas no sentido da reconstrução de
projectos sociais e de solidariedades voltadas para o Sul em luta. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Entre
os debates urgentes a iniciar figura o da saída da zona euro, nomeadamente para
a Europa do Sul, sob certas condições e segundo diferentes modalidades. É
evidente que uma tal decisão seria difícil de assumir pelos pequenos países
como a Grécia. Constituiria uma falsidade afirmar que desta opção de ruptura
não resultariam dificuldades. Mas constituiria igualmente uma falsidade
afirmar-se que uma tal via conduziria à catástrofe. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;E isto
por três razões pelo menos. Em primeiro lugar, há importantes economias
europeias que não estão na zona euro, como o Reino Unido. Depois, há países que
foram violentamente atingidos pela crise e que estão em vias de recuperar, fora
da zona euro, nomeadamente a Islândia. Por fim, e fora do continente europeu,
há países do Sul que ousaram a decisão de romper com as regras do sistema
monetário internacional actual sem que de tal decisão decorresse qualquer
situação de caos. Muito pelo contrário, tem sido precisamente essa via de
ruptura – temporária – com os dogmas neoliberais que lhes tem permitido
autonomizar-se e recuperar. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Que
lições retirar do Sul? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Numerosas
experiências recentes a Sul mostraram que a reconquista de elementos de
soberania nacional – monetária, entre outras – e o voluntarismo político
perante os diktat dos mercados financeiros abriram margens de manobra que
permitiram a esses países sair de situações económicas dramáticas provocadas em
larga medida pelo próprio funcionamento – injusto e inaceitável – do sistema
capitalista mundial. Pensamos aqui, por exemplo, no processo de
&quot;desdolarização&quot; em Cuba; ou no distanciamento da Venezuela em
relação ao Fundo Monetário Internacional; ou ainda na criação do Banco do Sul
(Bancosur), envolvendo países da Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA)
como a Bolívia e outros, incluindo o Brasil. Mas pode igualmente citar-se o
caso de um país com um governo menos radical como a Argentina, que em finais de
2001 declarou a suspensão de pagamentos e que retomou com bastante rapidez o
crescimento, sem que tenha ficado isolado em relação as ligações
internacionais. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Suspensão
de pagamentos, desvalorização da moeda e plano de reconversão da dívida foram
as medidas que salvaram a Argentina do desastre neoliberal. Não há dúvida que
uma saída do euro seria mais difícil para um país como a Grécia, que possui uma
base produtiva e exportadora muito mais fraca do que a da Argentina (que
assenta sobre a agro-indústria e a energia); mas certamente que daí não
resultaria o &quot;fim do mundo&quot; para o seu povo, como insistem em
anunciar os media dominantes. Uma tal decisão é difícil de tomar, tendo em
conta as contas públicas deficitárias e o risco de fuga de capitais; mas ela
parece doravante necessária como forma de saída da armadilha neoliberal – e
isto antes que a Alemanha decida ela própria a exclusão desse país! &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Pensemos
igualmente no Equador, cujo governo realizou uma auditoria à sua dívida
externa, anulou as dívidas &quot;odiosas&quot; (ou seja, ilegais e/ou
ilegítimas), utilizou a suspensão dos reembolsos para reduzir o peso da dívida
pública e libertou dessa forma recursos para as políticas sociais e para as
infraestruturas. Em todas estas experiências, em que não se verificou qualquer
catástrofe, a reapropriação por parte do Estado do seu poder de decisão
política sobre a economia permitiu a cada país libertar-se do atoleiro em que
estava mergulhado. Como foi o caso da Malásia, depois da crise asiática de
1998, quando o governo (que não era &quot;de esquerda&quot;) colocou limites às
imposições do FMI e conduziu a política anti-crise que lhe pareceu mais
conveniente. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;E
porque não, então, na Europa? É certo que as situações diferem de continente
para continente, mas as alternativas existem, sob a forma de transições
pós-capitalistas, democráticas e sociais, solidárias com o Sul. O que é
necessário não é a elaboração de soluções miraculosas ou prontas-a-usar, mas o
reabrir dos espaços de debate à esquerda. É portanto mais do que tempo de
falar, finalmente, sem tabus nem complexos, de soluções anti-crise colocadas ao
serviço dos povos europeus: saída controlada da zona euro, desvalorização
monetária (ou de uma eventual nova moeda comum), restabelecimento do controlo
das variações dos fluxos financeiros, redefinição do papel político dos bancos
centrais, nacionalização do sistema bancário e de certos sectores estratégicos
da economia, anulação parcial das dívidas públicas, redistribuição acrescida da
riqueza, reconstrução dos serviços públicos, desenvolvimento da participação
popular, mas também o relançamento de uma regionalização europeia progressista
e aberta ao Sul… Porque, na verdade, são os povos que são soberanos, não as
dívidas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web portugués ‘&lt;a href=&quot;http://resistir.info/europa/remy_29fev12.html&quot;&gt;Resistir.info&lt;/a&gt;&#039;, do 1 de marzo de 2012]&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Mon, 05 Mar 2012 09:24:11 +0100</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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