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Vigo, 18 de decembro de 2001

Mocidade e inserción laboral
 

Secretaría Confederal de Formación Sindical e Migración-

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As inquedanzas da mocidade

Moito se especula sobre cales son as inquedanzas da xente nova, mesmo se lle atribúe ás veces falta de interese pola formación e o traballo, que despois contrasta co número de estudantes e as dificuldades á hora de atoparen un emprego. Son temas nos que existen moitas ideas preconcibidas, que paga a pena reconsiderar.

Segundo o “Estudio sobre a sociedade galega 1996” realizado pola Xunta de Galiza, entre as preocupacións da mocidade “o paro aparece en primeiro lugar, cun 49% de respostas, e séguelle, en segundo, aínda que a unha distancia considerable, a inestabilidade laboral cun 25,3%. A continuación e preto, as drogas 24,4%, a seguridade cidadá 15,9%, a ecoloxía 13,3% e, por último, a vivenda 11,1%”.


Fonte: Xunta de Galiza.

Este mesmo estudo engade: “A ocupación parece se-la que máis inflúe nos problemas dos xoves dependendo da idade. Así, vemos que só o 37% dos menores de 20 anos mencionan o paro como problema importante, xa que son aínda maioría os que a estes anos continúan estudiando (70%). No seguinte intervalo de idade xa atopamos unha maior preocupación pola falta de emprego, cun 57% do total; entre os maiores de 25 anos, aínda que a porcentaxe de respostas mantense elevada, hai un lixeiro descenso debido a que o número de ocupados xa é maior que nos dous tramos de idade anteriores. Iso explica que é este tramo (de 25 a 29 anos) o que máis responde verse afectado pola inestabilidade laboral, un 33%, fronte a un 23% nos de 21 a 25 anos, e un 16% nos de 16 a 20 anos... Por último aos maiores de 25 anos, dos cales un 51% está traballando, o que lles preocupa é conservar o emprego”. En todo estes casos as respostas reflicten aqueles problemas que a mocidade considera prioritarios sobre un abano (paro, inestabilidade laboral, drogas, ecoloxía, vivenda...).

“O paro destaca como a máxima preocupación dos xoves na actualidade independentemente do nivel de estudios, sitúandose no segundo lugar a inestabilidade laboral para os que teñen estudios universitarios e as drogas para os de secundaria e primaria...”.

Sobre o comportamento da mocidade, coido de interese reproducir un anaco do estudo “O processo de reestruturação produtiva e o jovem trabalhador” de Heloisa Helena T. De Sousa Martins, presentado no XXI Encontro anual da ANPOCS, realizado en 1998 en Minas Gerais, Brasil. Que no referente á mocidade en Europa di o seguinte:

“Algumas interpretações a respeito da juventude, até incorporadas ao senso comum, caracterizam os jovens dos anos 60 pela sua rebeldia, os da década de 70 segundo o estereótipo da recusa do trabalho, enquanto os jovens dos anos 80 são definidos pelo seu individualismo e conformismo. Algumas pesquisas recentes têm procurado traçar o perfil do jovem dos anos 90 e, no que se refere à juventude da Europa, duas tendências parecem evidentes: o prolongamento da idade juvenil e um novo significado de ser jovem, bem como o crescimento das expectativas com relação ao trabalho, principalmente em decorrência do aumento do nível de instrução, que os leva à recusa de trabalhos com pouco prestígio social" (Chiesi e Martinelli, 1997).

Chiesi e Martinelli, que realizaram pesquisas entre os jovens italianos, e Bajoit e Franssen (1997), com seus estudos sobre os jovens belgas, apontam que a recusa ao trabalho aparece apenas entre uma minoria de jovens. Assim, não se pode falar propriamente em uma "crise de mecanismos de socialização para o trabalho" (Chiesi e Martinelli, 1997), mas sim na existência de uma atitude mais racional diante do trabalho. Este continua sendo central na vida dos indivíduos, mas há a introdução de elementos de liberdade e autonomia, no sentido de buscar a realização das próprias capacidades, reduzir as quantidades e o tempo dedicado ao trabalho, especialmente quando pouco gratificantes e, principalmente, sem o sacrifício da vida afetiva.

Assim, comparando a pesquisa feita em 1992, com os dados das realizadas em 1983 e 1987, Chiesi e Martinelli verificaram que o trabalho perdeu a segunda posição em uma escala de valores, passando para o terceiro lugar. Em primeiro ficou a família, seguida das amizades/amor. Mas o trabalho "conta mais que o tempo livre, que o estudo e a cultura, que o compromisso social, religioso e político" (p.122). A conclusão dos autores é de que, na verdade, os dados não indicam o declínio da importância do trabalho, mas sim uma transformação de sua concepção.

Na mesma direção, Bajoit e Franssen verificaram uma mudança na relação dos jovens com o trabalho: "Enquanto no modelo tradicional a realização pessoal estava subordinada ao trabalho, hoje é o trabalho que tende a estar subordinado à realização pessoal, permanecendo entretanto como um elemento e um locus essencial, embora não exclusivo. Nesse sentido, não se trata tanto de uma rejeição do trabalho, mas sim de uma reivindicação de um trabalho que tenha sentido para o próprio indivíduo e/ou que lhe deixe tempo para uma vida própria" (p.83).

Para explicar a mudança na concepção do trabalho é preciso considerar a situação do mercado de trabalho nos anos 90. Contrastando com um quadro, no passado, em que o jovem, uma vez alcançado o posto de trabalho, o via como permanente e nele buscava realizar-se e melhorar sua posição, a conjuntura atual é de insegurança e de grande mobilidade ocupacional. Diante da quase inexistência de trabalho em tempo integral, os jovens tendem a inserir-se no mercado com contratos de trabalho atípicos ou mais flexíveis, em tempo parcial, por tempo determinado, temporários e como subcontratação...”.

En estudos e enquisas realizadas sobre a realidade do Brasil, aparecen algunhas matizacións sobre as anteriores reflexións.

“Mas, os jovens trabalhadores de Osasco não conseguiram exorcizar, ainda, a preocupação pelo posto de trabalho (Chiesi e Martinelli, 1997:112) e, para eles, o mais importante é estar empregado. Quando indagados se gostariam de deixar de trabalhar, mostraram-se espantados diante dessa inconcebível possibilidade e 90,5% deles afirmaram que não. Vários disseram que gostam de trabalhar, que o trabalho é uma necessidade física, pois não conseguem ficar parados. Muitos outros destacaram que o trabalho é tudo na vida, seja porque garante o salário e a sobrevivência, mas principalmente porque todo homem digno trabalha. Ou como acentua um deles, "o trabalho é um estimulante, você está distraindo, estou me dando a oportunidade de conhecer mais. 'Conheça o infinito, além do infinito'. O conhecimento te abre caminhos". Mesmo aqueles jovens (9,5%) que ousaram reconhecer que gostariam de deixar de trabalhar, cautelosamente lembram a impossibilidade disso, pelo menos no presente...”.

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